França reforça segurança no Congo
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domingo, 08 de junho de 1997
Agência Estado Paris 
O governo francês decidiu enviar mais um batalhão de 500 homens à República do Congo, onde um soldado francês morreu no sábado, baleado por rebeldes. O objetivo da operação é garantir a segurança dos 2 mil cidadãos franceses que vivem naquele país africano, informou ontem o Ministério da Defesa da França, acrescentando que a situação em Brazaville (capital do País) é caótica. Há um grande número de mortos e feridos.
Rebeldes Cobras, milícia do ex-presidente Denis Sassou Nguesso, lutam contra forças do Exército, leais ao presidente Pascal Lissouba. Os confrontos começaram na quinta-feira, quando Lissouba ordenou o desarmamento dos Cobras, acusando seu antecessor de conspirar contra as eleições presidenciais programadas para 27 de julho.
Os rebeldes reagiram e Brazaville virou uma praça de guerra. Fontes militares ocidentais informaram que os Cobras já ocuparam a maior parte do centro da cidade e cercaram o escritório do primeiro-ministro. Além de combates ferozes entre as partes, estão ocorrendo saques. No norte do país, 17 pessoas morreram nas últimas duas semanas em choques entre partidários de Lissouba e Nguesso.
Apelo As embaixadas da França e dos Estados Unidos recomendaram a franceses e americanos que permaneçam em suas casas. O governo francês não elaborou ainda nenhum plano para retirada de seus cidadãos. O governo americano interrompeu o seu em consequência da intensidade dos combates, que chegaram até as proximidades do palácio do governo.
O primeiro-ministro David Charles Ganao lançou um apelo ao ex-presidente Nguesse para suspender o fogo. O presidente Lissouba está disposto a negociar, afirmou ele sem revelar o paradeiro do chefe de Estado - desaparecido desde sábado.
Segundo fontes diplomáticas, há um grande sentimento antifrancês no Congo. Estamos sendo caçados ali, confirmou um dos franceses que conseguiram sair de Brazaville a bordo de um avião da Air France. Vi uma mulher nua, enrolada num lençol, chegar ao aeroporto, acrescentou. Aparentemente, foi estuprada.
Antiga colônia francesa, a República do Congo faz fronteira com o Gabão a oeste, Camarões e República Centro-Africana ao norte, República Democrática do Congo a leste e Angola ao sul. Sua população é estimada em 3 milhões de habitantes - entre os quais cerca de 300 mil são estrangeiros.


