Curiosamente, foi em Paris, na noite de anteontem para ontem, que brilhou uma frágil esperança de paz para o Oriente Médio, depois de quatro dias de matança na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. De passagem por Paris, a secretária de Estado norte-americana, Madeleine Albright, após conversar por telefone com o presidente Bill Clinton, anunciou que se reuniria, hoje, com o primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, e o líder palestino Yasser Arafat, na capital francesa.
Imediatamente, a França aceitou ser a sede dessas conversações. É preciso dizer que, nestes dias tristes (cujo símbolo terrível é a morte do pequeno palestino Mohammad el Dirah), a França reagiu rapidamente. Ainda com mais cólera do que Bill Clinton, o presidente Jacques Chirac censurou Ariel Sharon, líder do partido direitista do Likud, por ter provocado com sua visita à Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, um ‘‘incêndio previsível’’. O primeiro-ministro Lionel Jospin insistiu na mesma recriminação indignada.
A França não se limitou a apontar o verdadeiro responsável por mais de cinquenta mortes de palestinos – este Ariel Sharon, personagem nefasto, cuja face está ainda manchada com o sangue de centenas de árabes massacrados por seus aliados libaneses em Sabra e Chatila. Paris agiu também efetivamente para que a União Européia – cuja presidência é atualmente ocupada pela França – aprovasse a formação de uma comissão internacional exigida pelos palestinos para determinar as responsabilidades.
Este gesto é importante. Se, entretanto, Ariel Sharon é de fato o responsável direto pelo desastre, o primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, não é inocente. Não apenas por ter protegido, com mil soldados, a trágica visita de Sharon à Esplanada das Mesquitas, mas também por ter depois respondido com uma violência inaudita, fora de qualquer medida, à revolta dos manifestantes palestinos, que só estavam armados com pedras.
Finalmente é preciso felicitar Paris por outro motivo: tradicionalmente existe uma rivalidade muito ridícula entre franceses e norte-americanos a respeito do Oriente Médio. Ora, neste caso, diante dos estragos que essas matanças poderiam acarretar ao processo de paz, já bastante enfermo e debilitado, Paris deixou de lado seus velhos complexos diante dos Estados Unidos. E os dois países – França e Estados Unidos – trabalharam de mãos dadas.

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