A França, que nas últimas duas décadas adotou uma das políticas mais restritivas em matéria de imigração, se prepara para abrir novamente as portas de suas fronteiras para o trabalhador estrangeiro.
O país vive um momento de forte demanda por mão-de-obra e registra uma nova queda do desemprego. A queda acentuou-se nos últimos meses e atualmente corresponde a 9,2% da população ativa ante 12,7% de três anos atrás.
A própria Câmara do Comércio e da Indústria de Paris, uma emanação do chamado patronato francês, reivindica essa importação de mão-de-obra, dividindo os sindicatos, uma parte do empresariado e o próprio governo.
Um estudo com sugestões para o problema de recrutamento de mão-de-obra concluiu que o país precisa do concurso do trabalhador estrangeiro. Precisa ainda tornar alguns tipos de emprego mais atrativos, com aumentos de salários; melhorar a formação dos jovens para profissões manuais; facilitar a mobilidade geográfica e contratação de idosos.
A principal sugestão, entretanto, é facilitar o acesso do trabalhador estrangeiro, uma política que se constituiu num verdadeiro tabu nos últimos 20 anos. Grupos de direita e extrema direita chegaram a adotar em suas campanhas eleitorais – com algum sucesso – o eslogan: ‘‘Antes de tudo os franceses’’.
Alguns governos, pressionados pela opinião pública e pelo elevado índice de desemprego no país, adotaram uma política tão restritiva prejudicando a presença de outras correntes estrangeiras no país.
Esse foi o caso, por exemplo, dos professores, pesquisadores e universitários de outros países que diante das dificuldades administrativas para permanecer na França, acabaram abandonando o país preferindo os Estados Unidos e a Alemanha, com políticas mais flexíveis. Não apenas nessa área, mas também na chamada imigração econômica, recebendo de braços abertos imigrantes vindos de diversas partes do mundo.
Um recente levantamento efetuado pela Federação Nacional das Empresas de Transportes Rodoviários revela, por exemplo, um déficit atual de 5 mil caminhoneiros. A própria indústria automobilística estima em 500 mil o número de empregos qualificados necessários e não acredita que essa demanda possa ser suprida com pessoal recrutado somente em território nacional.
A Câmara do Comércio e Indústria de Paris, ciente que o tema é explosivo, explica que pretendeu dar um tratamento técnico e econômico à questão, lembrando que não se trata de ‘‘abrir os portões’’ do país ou substituir um francês por um estrangeiro.
O objetivo é atender a demanda de mão-de-obra qualificada, por meio de contratos prevendo as condições de volta. Hoje, todo cidadão europeu pode trabalhar em qualquer país da União Européia, enquanto o originário de um país que não pertença ao bloco precisa fazer um pedido, que pode ser concedido dependendo da situação do emprego no setor desejado.

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