França quer investir na proteção de índios
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sexta-feira, 05 de maio de 2000
France Presse De Paris 
O governo francês está disposto a financiar estudos de viabilidade do projeto que pretende criar o Instituto Raoni na selva amazônica brasileira, disse ontem, em Paris, a ministra do Meio Ambiente, Dominique Voynet.
Voynet recebeu Raoni, cacique da tribo Caiapó, que em 1989 lançou um chamado de ajuda para proteger a selva contra lenhadores e garimpeiros. Graças a personagens como o cantor britânico Sting, mais de US$ 350 mil foram arrecadados e usados para criar uma reserva protegida.
A reserva Caiapó, oficializada em 1993, e o Parque Nacional do Xingu cobrem 180 mil km2, nos Estados do Mato Grosso e do Pará, uma superfície que corresponde a do Estado da Flórida, nos Estados Unidos.
A população desta área protegida, a maior do Brasil, é de cerca de 10 mil índios, de 16 tribos, instaladas em 20 aldeias. A maioria destas tribos descobriu a civilização ocidental nos anos 60. Elas sabem que não podem continuar vivendo isoladas, mas, ao mesmo tempo, não querem perder sua cultura, sua dignidade e sua terra.
Autoridades brasileiras e a Fundação Nacional do Índio (Funai) informaram que a Associação Para a Selva Virgem (francesa) quer construir o instituto Raoni no interior da reserva. Trata-se de ajudar os índios a ser economicamente independentes, disse Jean-Pierre Dutilleux, presidente da associação, que apóia Raoni desde 1978 e que ontem acompanhava o cacique em sua visita à ministra Voynet.
Raoni expôs a situação de sua região à titular da pasta do Meio Ambiente e fez um balanço dos progressos alcançados, além de assinalar alguns problemas de demarcação de fronteiras.
O projeto do Instituto Raoni, com inauguração prevista para 2005, consiste em criar, no coração da reserva, um conjunto de cinco centros: hospitalar, cultural, de pesquisas, de comunicação e de habitação, com um custo avaliado em US$ 3 milhões.
O hospital será dirigido por um médico brasileiro (o hospital mais próximo se encontra a 350 quilômetros). Os pesquisadores, também brasileiros, se concentrarão na botânica, na etnologia e na biodiversidade, e também serão responsáveis pela formação dos índios.
O centro cultural irá comportar uma escola primária e outra secundária, para os nativos, uma sala de conferências e de vídeo e uma biblioteca.
O centro de comunicação supervisionará a reserva e se comunicará com o exterior, enquanto uma estação de rádio transmitirá para os índio. O endereço na Internet dos defensores da selva amazônica é: www.raoni.com


