França preocupada com possível vitória da direita italiana
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sexta-feira, 11 de maio de 2001
Julio Olaciregui France PresseDe Roma 
As eleições italianas de domingo despertam grande interesse na França, onde algumas vozes, como a do chefe da comissão de Relações Exteriores da Assembléia Nacional, o socialista François Loncle, advertiram sobre o perigo que representa para a Europa o eventual retorno ao poder do líder direitista Silvio Berlusconi, considerado favorito.
Os dirigentes políticos da União Européia (UE), respeitando a regra da não-ingerência, não expressaram abertamente suas resistências ao magnata italiano, a quem as pesquisas dão como ganhador das eleições legislativas na península italiana no próximo domingo.
Loncle estimou na última quarta-feira, no jornal Le Monde, que Berlusconi e seus aliados não são somente uma ameaça para a Itália, mas para toda a Europa. Suas teses xenófobas ultraliberais e nacionalistas poriam em questionamento toda a arquitetura européia e prejudicariam a coesão de nossa União.
Ao lembrar que Berlusconi já foi presidente do Conselho italiano por sete meses, em 1994, Loncle disse que o povo italiano não pode permitir a esse comediante que represente de novo a mesma farsa.
Que um homem concentre poderes na comunicação, na indústria, nas finanças e na política constitui um sério risco para a democracia. Além disso, Berlusconi fede a enxofre, adiantou Loncle.
É perigoso, intitulou em primeira página o jornal Libération na semana passada ao referir-se a Berlusconi, segundo a revista Forbes o décimo quarto homem mais rico do mundo.
Le Figaro, jornal de direita, é o único a denunciar a campanha dos outros órgãos de comunicação contra Berlusconi e lhe concedeu a palavra, ontem, em uma entrevista.
Berlusconi declarou ao jornal que quer fazer a revolução na Itália. Quero rever todos os códigos jurídicos, serei um Justiniano ou um Napoleão em pequena escala, disse.


