França pode parar com greve de caminhoneiros
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segunda-feira, 03 de novembro de 1997
Reali Jr. Agência Estado Paris 
Desde às 22 horas de ontem (horário local), a França começou a ser paralisada por uma greve de caminhoneiros, que poderá ser tão longa quanto a dessa mesma época no ano passado, quando durante doze dias as atividades econômicas e comerciais do país foram fortemente penalizadas.
Essa é a primeira greve dura que o governo socialista de Lionel Jospin enfrenta, apesar dos esforços de seu ministro comunista dos Transportes, Jean Claude Gayssot, que conseguiu convencer a cúpula sindical, mas não a base. Dessa forma, a direção dos sindicatos teve que assimilar a posição da base. Também a UFT, a principal organização patronal (80% dos empresários do setor), abandonou as negociações, antecipando a ruptura. O secretário do Partido Socialista, François Holand, considera que essa posição se deve, em grande parte, à posição do CNPF, a principal representação patronal francesa, que recentemente declarou guerra ao governo, ao romper a negociação trilateral com os sindicatos e autoridades governamentais para a implantação das 35 horas de trabalho por semana.
Na madrugada anterior, intervindo na negociação entre motoristas e empregadores, o governo imaginou contornar o problema, prometendo reduzir impostos sobre as empresas para possibilitar o atendimento das reivindicações: um salário mensal de 10.000 francos por 200 horas de trabalho, um aumento que seria reescalonado até o ano 2000, mas a UFT rejeitou essa proposta.
Na noite de sábado, diversas barreiras foram também sendo instaladas nas fronteiras com a Itália, Espanha, Alemanha, Bélgica, mas principalmente no Norte, na região de Calais, bloqueando completamente o movimento de caminhões na travessia do Canal da Mancha. Esse bloqueio é a causa de fortes protestos das autoridades britânicas. Do outro lado do canal, a polícia de Kent previu um plano de urgência chamado Operação Stack, sendo que o ministro de Transportes, Gavin Strang, promete pressionar o governo francês para que adote as medidas necessárias a fim de permitir que os caminhões estrangeiros atravessem a França.


