França não vai perder a Torre Eiffel
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de julho de 1998
France Press 
A Torre Eiffel não passará para mãos norte-americanas, garantiu durante a semana passada o governo francês, um dia depois do rebuliço causado pela notícia de que o monumento que constitui um dos maiores símbolos de Paris e da França passaria para o controle de uma companhia norte-americana.
A cidade de Paris é a proprietária da Eiffel, afirmou ontem o ministro da Economia Dominique Strauss-Kahn.
No meio da semana, mencionou-se a possibilidade que poderia se dar com a privatização do Credit Foncier de France (CCF), um banco alvo do interesse da firma norte-americana GMAC (que administra os fundos de pensão da General Motors) e Bass.
O CFF é acionista de 50% da firma de economia mista parisiense SAGI, que, por sua vez, possui 70% da firma que explora a Torre Eiffel, a Nova Sociedade de exploração da Torre Eiffel (SNTE). A SNTE, por sua vez, explora o mais famoso monumento francês, propriedade da cidade de Paris.
Segundo o ministério da Economia, enquanto proprietária e autoridade encarregada da Torre Eiffel, a Cidade de Paris terá a plena liberdade para julgar em que medida uma evolução eventual do capital de CCF poderá ter consequência sobre a estrutura responsável da gestão da Torre Eiffel.
O governo vai se pronunciar em meados de julho sobre a oferta de compra do CFF por parte da GMAC. O prefeito de Paris, Jean Tiberi, indagado a respeito da questão, afirmou que não existem riscos em relação à propriedade do monumento.
Para evitar que a Torre seja adquirida, bastaria que a prefeitura comprasse 20 milhões de francos (3,3 milhões de dólares) em ações, o que garantiria a maioria no SAGI.
Construída por Gustave Eiffel, a torre, que leva o seu nome, foi projetada pelo engenheiro para a Exposição Internacional de Paris, que se realizou em 1889. Iniciada em 1887, foi inaugurada a 31 de março de 1889.
A torre metálica construída no Champ-de-Mars, em Paris, tem forma de pirâmide quadrangular de faces curvas e sua altura é dividida em três andares: o primeiro vai até 56,63 m, o segundo até 115,73 m e o terceiro até 276,13 m. Este último ostenta o campanário e a lanterna do farol. O topo foi adaptado para as instalações da O.R.T.F (rádio e televisão franceses), elevando-se a altura da torre para 320,755 m até a extremidade das antenas.
Considerada o verdadeiro símbolo de toda a França, a Torre foi testemunha dos maiores e mais importantes acontecimentos da História do país, resistindo a uma série de ameaças. Quando a França foi dominada pelos nazistas, contam os historiadores que a ordem de Adolf Hitler, caso Paris viesse a ser perdida para os Aliados, era para destruir todos os monumentos da Capital francesa. Segundo algumas fontes, isto não aconteceu devido à desobediência de generais alemães que não quiseram unir seus nomes a um ato de vandalismo que causaria o opróbio mundial.
A simples idéia de que a Torre Eiffel pode vir a se tornar propriedade de uma empresa de outro país provocou forte reação em todos os meios do país, principalmente em Paris. Todavia, os líderes políticos fizeram questão de deixar claro que isto não acontecerá sob nenhuma hipótese.


