França lança assistência médica total
Reali Júnior
Agência Estado
Os franceses estão vivendo um momento histórico do movimento social do país. No momento em que as novas leis da modernidade viram as costas para a Previdência Social em quase todo o mundo, buscando reduzir seus benefícios em nome de um certo realismo econômico, o governo da França aprovou ontem, em reunião do Conselho de Ministros, um projeto de lei instaurando a Cobertura Médica Universal, já chamada de CMU. Isso quer dizer que, a partir de janeiro do ano 2000, 6 milhões de franceses que ganham menos de US$ 600 mensais (3.500 francos), e ainda não têm acesso integral a tratamentos médicos, passarão a ter cobertura total e gratuita, incluindo a suplementar e poderão escolher o instituto preferido. O projeto deverá ser aprovado pela maioria governamental no Parlamento a partir do dia 27 de abril.
Toda pessoa que vive regularmente na França, até mesmo estrangeiros, a partir de 16 anos de idade, será filiada obrigatoriamente ao regime de base da Previdência Social (Securité Sociale). Essas medidas vão custar ao Estado francês cerca de 9 bilhões de francos (US$ 1,5 bilhão).
A justificativa da ministra dos Negócios Sociais, Martine Aubry, autora do projeto, é simples: Em face da dor e da doença, o nível de renda do cidadão não pode introduzir nenhuma discriminação.
Mais de 200 mil franceses ainda permaneciam totalmente excluídos do regime de base da chamada Securité Sociale e outros 550 mil eram obrigados a recorrer a um seguro pessoal para garantir algum tipo de segurança médica.
Agora, segundo a ministra Martine Aubry, os que ainda estavam fora de todas as garantias - 6 milhões de pessoas - terão acesso gratuito e poderão escolher a empresa de sua preferência para a cobertura suplementar da Previdência.
Para isso, basta um comprovante de endereço fixo e mesmo os chamados SDF, pessoas sem domicílio fixo, poderão dar como referência a localização da associação ou da instituição social que normalmente frequentam.
Um estabelecimento público será criado para coordenar todos os demais organismos relacionados com essa evolução.
A decisão do governo ocorreu no dia em que foi divulgado o novo déficit de um outro setor da Previdência, o seguro-desemprego, que atingiu no último ano 2,5 bilhões de francos (US$ 415 milhões).
O projeto de lei aprovado na reunião do Conselho de Ministros, presidida pelo presidente Jacques Chirac, visa alcançar basicamente esses 6 milhões de pessoas, normalmente desempregadas, mas também pequenos artesãos, comerciários, aposentados - todos os que ganham muito pouco na escala de salários.





