O primeiro-ministro da França, Lionel Jospin, condenou ontem em Paris a violência dos skinheads alemães, que feriram gravemente um policial francês anteontem, em Lens, onde foi realizada a partida entre Alemanha e Iugoslávia. ‘‘Atos como esse venham de onde vierem, inclusive de nós mesmos, são uma demonstração de baixeza’’, afirmou ele, durante visita a um departamento encarregado das medidas de segurança na Copa do Mundo.
Jospin atribuiu os distúrbios dos últimos dias a grupos organizados que querem estimular a violência e não aos torcedores do Mundial. Ele também garantiu que a Justiça será a mais firme possível, principalmente no caso do policial ferido, que ontem se encontrava em estado grave.
France PresseViolênciaGrupo de skinheads alemães durante o tumulto em Lens. A polícia investiga ligações com grupos neonazistas infiltrados na torcidaO presidente Jacques Chirac também condenou ‘‘os atos de violência inaceitáveis e dramáticos’’ ocorridos em Lens. O ministro do Interior, Jean-Pierre Chevenement, criticando esses ‘‘grupos de vândalos, de fanáticos e de fascistas’’, confirmou ter ordenado a expulsão urgente de onze pessoas, sete alemães envolvidos nos distúrbios de Lens e quatro alemães que estavam em Toulouse. Em carta a Chevenement, o ministro alemão do Interior, Manfred Kanther, ‘‘lamentou infinitamente’’ os incidentes.
Daniel Nivel, o policial ferido gravemente por torcedores alemães após o jogo entre Alemanha e Iugoslávia, domingo, em Lens, está internado em coma profundo no Centro Hospitalar Universitário, em Lille. Segundo os médicos, ele corre risco de vida. O torcedor preso acusado de agredir o policial deveria ser ouvido ainda ontem pela Justiça. Os confrontos após o jogo resultaram em mais de 90 prisões, a maioria de alemães, sendo que 15 continuam detidos. A polícia francesa investiga a suspeita da infiltração de militantes da extrema direita alemã entre os torcedores.
O presidente da Federação Alemã de Futebol, Egidius Braun, disse ontem - entre lágrimas - que o ataque de skinheads alemães a um policial francês, em Lens, foi ‘‘um ato de terrorismo’’. A jornalistas alemães, ontem em Paris, durante uma reunião de emergência da Fifa, Braun contou que tinha considerado cancelar a participação alemã na Copa da França quando foi informado do que ocorrera em Lens.
‘‘Foi o pior momento da minha vida. Esta Copa já não tem mais interesse para mim. Tentamos representar adequadamente nosso país na França e, então, chegam os criminosos e destróem tudo’’, afirmou Braun. Ele também relatou que pensou em voltar imediamente à sua casa, em Aachen, na Alemanha, mas desistiu e quis visitar o policial ferido. ‘‘Faremos todo o possível para ajudá-lo e à sua família’’, informou.

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