França expõe divergência dentro da Otan
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segunda-feira, 19 de abril de 1999
Reali Júnior Agência Estado 
A resistência da França em apoiar um bloqueio naval contra a Iugoslávia sem um mandato das Nações Unidas, como pretendem os EUA, revela que a unidade das forças da Otan, algumas vezes, é apenas fachada.
Existem divergências importantes entre os parceiros sobre o modo de conduzir as operações político-militares e suas consequências econômicas. Petroleiros que navegam pelo Adriático têm conseguido suprir a Iugoslávia de suas necessidades mais urgentes, principalmente das Forças Armadas sérvias, que não parecem fortemente ameaçadas de desabastecimento, apesar dos intensos bombardeios da aviação aliada contra refinarias iugoslavas.
Os rumores que já circulavam nos EUA sobre dificuldades cada vez maiores na área política da Otan para conseguir consenso entre os principais países da aliança se confirmaram ontem em Paris. Os EUA estão tentando responsabilizar os parceiros pelas dificuldades da área militar, uma atitude que já ocorreu no passado, durante a guerra da Bósnia.
Por isso, o presidente Bill Clinton manteve um longo contato telefônico com o presidente francês, Jacques Chirac tentando convencê-lo, pois do contrário pouco adiantará a destruição de uma grande parte de refinarias e depósitos de petróleo pela aviação aliada.
Não existe consenso também, pelo menos até agora, sobre a iniciativa francesa de utilizar helicópteros numa operação destinada a lançar alimentos e artigos de primeira necessidade de pára-quedas para a população de origem albanesa que se encontra na província de Kosovo.
Os parceiros franceses , incluindo os alemães, advertem para a dificuldade de tal operação, que teria de contar com a boa vontade das forças sérvias. Haveria ainda o risco de a ajuda cair em mãos sérvias.
Um dos maiores críticos às operações militares continua sendo o ex-comandante das forças da ONU na Bósnia, o general britânico, Michael Rose, que não hesita em declarar: A estratégia da Otan fracassou. Os aliados devem rapidamente encontrar um meio de parar os ataques contra a Iugoslávia. A seu ver, a Otan não mais pode ignorar que sofreu uma derrota estratégica.
A Iugoslávia estaria sendo alimentada também por petróleo russo, por meio de um oleoduto que atravessa a Hungria. O chanceler alemão, Gehard Schroeder, considera inaceitável que um país da Otan, como a Hungria, continue permitindo a passagem desse produto fundamental para Belgrado.
Os franceses consideram que esse é um problema delicado, chamando a atenção para a difícil posição do governo de Budapeste. Os franceses lembram que, além de ser um país vizinho da Iugoslávia, exposto ao risco da extensão da guerra, existe uma importante minoria húngara em Montenegro, país que faz parte da Federação Iugoslava e onde estão estacionadas importantes unidades do Exército sérvio.


