As autoridades do Ministério dos Transportes e da Comissão de Inquérito de Acidentes, reunidas ontem em Paris, decidiram manter suspensos os vôos dos cinco aparelhos Concorde da Air France, pois até o momento ‘‘não foi possível encontrar respostas para certas questões determinantes’’, que poderiam explicar definitivamente o acidente de Roissy.
Essas afirmações foram feitas pelo porta-voz do ministério, Giles Riconot, que reconheceu que os trabalhos da comissão avançam rapidamente, mas os resultados são ainda insuficientes para que se possa autorizar o restabelecimento dos vôos para Nova York com toda segurança.
A grande maioria dos técnicos e especialistas da aviação civil francesa diz que o programa do Concorde não está comprometido e o avião voltará a voar em breve, desde que o acidente seja esclarecido. O relatório final sobre as causas da queda só será divulgado no fim do mês.
A direção da Air France mostra-se cada vez mais preocupada com a perda da clientela para sua concorrente, a British Airways, cujos Concordes continuam voando, apesar de numerosos pequenos problemas técnicos. Os defensores da rápida volta do Concorde alegam, entre outras coisas, que milhares de acidentes já ocorreram com aviões comerciais subsônicos e nem por isso os Boeings e Airbus espalhados pelo mundo deixaram de voar.
A única novidade ontem foi a descoberta na pista de uma peça metálica que protege os pneus do avião.
Em 1993, um acidente do mesmo tipo ocorreu com um Concorde britânico. No aeroporto de Heathrow, essa mesma peça de proteção de um dos pneus perfurou o tanque e uma das asas do aparelho. A companhia britânica decidiu reforçar a parte do avião em que fica a peça, mas, na época, a Air France julgou desnecessária tal alteração.

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