França contra-ataca após atentados
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quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Das agências 
Paris - A França realizou ontem mais cem operações em todo o país e bombardeou novamente um reduto sírio do Estado Islâmico (EI) em sua guerra declarada aos jihadistas após os atentados de Paris.
Uma batalha em todas as frentes, incluindo a diplomática. O presidente François Hollande recebeu ontem o secretário de Estado americano, John Kerry, e viajará na próxima semana a Washington e Moscou para debater com os colegas Barack Obama, no dia 24, e Vladimir Putin, no dia 26, a formação de uma coalizão contra o EI na Síria.
A União Europeia (UE) garantiu apoio unânime ao pedido de ajuda militar da França, que advertiu que "não pode estar sozinha nos cenários de operações" contra os jihadistas. A França participa na coalizão internacional antijihadista liderada pelos Estados Unidos no Iraque e na Síria. Lá, os caças franceses atacaram pela segunda noite a cidade de Raqa (norte), reduto do EI, onde, segundo as autoridades, destruíram um centro de comando e um campo de treinamento. As operações devem ser intensificadas com a chegada à região do porta-aviões francês "Charles de Gaulle", que zarpará amanhã para a Síria e Líbano com 26 caças a bordo, o que triplicará a capacidade de ação.
Na França, as forças de segurança prosseguem com as operações, que chegaram a 128 nas últimas horas, dentro do estado de emergência decretado após os atentados, anunciou o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve. Na noite anterior foram 168 ações.
A investigação sobre os atentados que deixaram pelo menos 129 mortos e 350 feridos na sexta-feira à noite na casa de espetáculos Bataclan, nos arredores do Stade de France e em vários bares e restaurantes em Paris conseguiu identificar cinco dos sete homens-bomba. Mas a busca do possível oitavo autor dos atentados, Salah Abdeslam, continua, assim como a identificação dos restos mortais de outros dois terroristas suicidas.
"Ainda não sabemos se há cúmplices do massacre na França ou na Bélgica", afirmou o primeiro-ministro francês Manuel Valls, antes de reconhecer que as autoridades não têm certeza sobre o número de pessoas envolvidas. Os atentados foram "decididos e planejados na Síria, preparados e organizados na Bélgica e executados na França, com cúmplices franceses", afirmou Hollande na véspera.
Os homens-bomba identificados até o momento são franceses, mas o quinto tinha um passaporte sírio, que ainda precisa ter a autenticidade comprovada. A polícia também investiga um jihadista belga que viveria na Síria, Abdelhamid Abaaoud, e não descarta que ele tenha sido o "inspirador" dos atentados.


