França celebra seus heróis após incêndio
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sexta-feira, 19 de abril de 2019
France Presse 
Paris - A França avalia opções distintas, como a construção de uma catedral efêmera, para manter a Notre-Dame viva durante as obras que já começaram, com o reforço de alguns pontos fragilizados da construção, enquanto homenageia "heróis" que a salvaram. Cerca de 600 bombeiros trabalharam durante toda a noite de segunda-feira (15) para apagar o fogo que derrubou a torre e parte do teto da famosa catedral parisiense, evitando um desastre ainda pior.

"O país e o mundo inteiro estavam nos observando e vocês foram exemplares", declarou o presidente da França, Emmanuel Macron, que recebeu nesta quinta (18) cerca de 300 agentes no Palácio do Eliseu. "Vocês são o exemplo perfeito do que deveríamos ser", acrescentou, louvando a coragem desses homens e mulheres, a quem concederá a medalha de ouro da França, reconhecendo seu "valor e devoção".
Notre-Dame, o monumento histórico mais visitado da Europa - recebeu 12 milhões de turistas de todo o mundo no ano passado - se salvou "por 30 minutos" graças ao trabalho heroico dos bombeiros de Paris, garantiu o secretário do Interior, Laurent Nuñez.
A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, também prestou homenagens aos bombeiros e outros socorristas que ajudaram a salvar obras de arte do interior da catedral gótica de 850 anos, em uma cerimônia pública nos arredores do quartel da capital. "Eles salvaram, colocando suas vidas em risco, parte de nós mesmos", disse, celebrando a "coragem sem limites" dos bombeiros, aclamados por uma multidão debaixo do sol de Paris. "Queremos hoje expressar nossa gratidão infinita, nosso reconhecimento eterno", acrescentou.
O ministro da Cultura, Franck Riester, informou que três dias após o incêndio continua havendo a preocupação de que partes da construção possam despencar. Um corredor lateral, onde estão vitrais em forma de rosa, e o frontão ocidental, entre os dois sinos, ainda corriam perigo, detalhou, mas já há equipes trabalhando para consertá-los.
Na terça (16), em discurso à nação, Macron esboçou uma estratégia ambiciosa de reconstruir Notre-Dame em cinco anos - um plano recebido com ceticismo por alguns especialistas. Para Denis Dessus, presidente da Ordem de Arquitetos da França, "partir do princípio de que é preciso reconstruir rapidamente monumento quase milenar é um erro". "É importante não reduzir o tempo dos estudos que determinam a pertinência das obras", afirmou.


