França às voltas com inundações e frio
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terça-feira, 09 de dezembro de 2003
France Presse 
Paris A França, onde várias regiões e cidades continuam inundadas, depois das grandes enchentes dos rios na semana passada, enfrenta agora uma onda de frio, que forçou a abertura, ontem, de restaurantes gratuitos para os mais necessitados.
Pelo décimo-nono ano consecutivo, essas cantinas, conhecidas como ''Les Restos du coeur'' (Os restaurantes do coração), voltaram a abrir suas portas.
Os 2,1 mil restaurantes deste tipo, localizados em todo o território francês, contam com a colaboração de 42 mil voluntários, que pretendem distribuir 61 milhões de refeições durante 100 dias.
''Hoje não se pode ter fome ou frio'', cantava, em 1985, o humorista Michel Colucci, ou Coluche, que lançou a idéia destes restaurantes.
Mas 18 anos depois, esta canção continua sendo atual, embora Coluche já não esteja vivo para comprová-lo. Ele morreu num acidente de trânsito em 1986.
A França possui atualmente 3,7 milhões de pobres, com rendimentos mensais inferiores a 579 euros (700 dólares), ou seja 700.000 a mais do que em 1985, enquanto cerca de 200 mil sem-teto vão tentar sobreviver pelas ruas das cidades durante o inverno.
A temperatura chegou a 6 graus abaixo de zero no norte e no nordeste do país neste fim de semana. Esta onda de frio chegou à França após as graves inundações que deixaram seis mortos na semana passada no sudeste e no centro do país e que continuam afetando várias regiões.
No vale do Loire, o rio mais longo do país, que não registrava uma enchente tão grande desde 1983, a situação continuava sendo preocupante, com cerca de 60 mil pessoas sem água potável.
Criticado severamente por sua reação tardia quando uma onda de calor sufocante causou a morte de 15 mil pessoas em agosto, o governo do premier Jean-Pierre Raffarin aprendeu a lição e tomou desta vez medidas rapidamente.
O presidente Jacques Chirac e vários ministros visitaram na semana passada as regiões afetadas, enquanto o governo concedia uma ajuda urgente de 12 milhões de euros (14,4 milhões de dólares).
Após uma semana de cheias dos rios, os prejuízos foram estimados em 30 milhões de euros (36 milhões de dólares) e vários milhares de desabrigados ainda não puderam voltar para casa.


