Os franceses aprovaram ontem a redução de sete para cinco anos do mandato do presidente da República, segundo os institutos de pesquisa, embora apenas uma terça parte dos eleitores tenha comparecido às urnas.
O plebiscito foi marcado por um índice recorde de abstenção de 70% dos 40 milhões de eleitores inscritos.
O último recorde de abstenção ocorreu durante um referendo sobre o futuro do território francês da Nova Caledônia (oceano Pacífico) em 1988, quando chegou a 63,1%.
Depois de conhecer os resultados, o presidente francês, Jacques Chirac, congratulou-se com a vitória do ‘‘sim’’ numa intervenção ao vivo pela TV.
Segundo ele, a abstenção registrada tem um significado: a de que não há ‘‘bastante’’ democracia pelo que é conveniente ‘‘recorrer a referendos com mais frequência. É preciso facilitar seu uso, ampliar suas possibilidades e permitir o referendo de iniciativa popular’’. O primeiro-ministro, Lionel Jospin, também lamentou a ‘‘reduzida participação’’.
O plebiscito foi a primeira consulta popular realizada no país desde a ratificação do Tratado de Maastricht da União Européia (UE) em 1992 e o nono desde que começou a quinta República em 1958. O mandato presidencial de sete anos vigorava na França há 127 anos.
A maioria dos analistas atribuiu a forte abstenção à ausência de um confronto tradicional entre a direita e a esquerda; a campanha não conseguiu interessar os cidadãos uma vez que não pôs em destaque o que realmente estava em jogo.
O único dirigente político importante que apelou para o ‘‘Não’’ à redução do mandato presidencial, o conservador Charles Pasqua, pediu que sejam mudadas as regras do referendo.
Robert Hue, secretário-geral do Partido Comunista, que faz parte da coalizão do governo e que havia pedido aos eleitores para que se abstivessem, declarou que a pequena participação significava ‘‘um ato político maior’’ e uma advertência ao mundo político francês.

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