França aprova a nova previdência
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de julho de 2003
France Presse 
Paris O parlamento francês adotou, ontem, a polêmica reforma do sistema previdenciário, que provocou, nos meses de maio e junho, uma onda de protestos e greves que paralisaram o país por vários dias. A Assembléia Nacional aprovou o texto pela manhã e o Senado à tarde. Em ambas as câmaras, a situacionista União pela Maioria Presidencial (UMP) teve uma maioria absoluta.
''Temos a sensação de ter cumprido nosso dever em relação a uma reforma que os franceses esperavam há dez anos'', declarou o ministro para Assuntos Sociais, François Fillon.
A reforma prevê elevar de 37,5 a 40 anos, a partir de 2008, o tempo de contribuição necessário para que os servidores públicos possam se aposentar, como já é o caso dos empregados do setor privado. A lei também prevê elevar para 41 anos o tempo de contribuição até 2012 e para 42 em 2020.
A perspectiva de ter de trabalhar mais tempo não foi bem aceita pelos funcionários públicos, nem pelos empregados do setor privado.
Em maio e junho passados, os sindicatos convocaram váris manifestações em Paris e em outras cidades para pressionar o governo do primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin a retirar seu projeto.
Em meados de maio, entre um e dois milhões de pessoas saíram às ruas de várias ciades do país para protestar contra a reforma, uma mobilização que não se via desde 1995, quando os protestos populares obrigaram o Governo a retirar sua reforma do sistema de aposentadorias.
Raffarin, no entanto, apostou no estancamento dos protestos e resistiu à pressão das ruas, apesar de sua popularidade cair muito nas pesquisas.
A oposição apresentou milhares de emendas para dificultar a aprovação do texto, mas acabou derrotada.


