França anuncia que vai reconhecer o Estado da Palestina
No maior revés diplomático para Israel desde início da guerra, o país é o primeiro do continente europeu a anunciar o reconhecimento
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domingo, 27 de julho de 2025
No maior revés diplomático para Israel desde início da guerra, o país é o primeiro do continente europeu a anunciar o reconhecimento
Victor Lacombe/ Folhapress 

SÃO PAULO - O presidente da França, Emmanuel Macron, disse que seu país reconhecerá oficialmente o Estado da Palestina, tornando-se o primeiro integrante do G7 a tomar a decisão e aplicando a Israel seu maior revés diplomático desde o início da guerra contra o Hamas na Faixa de Gaza, em outubro de 2023.
Macron afirmou que fará o anúncio formal de reconhecimento em setembro, na Assembleia-Geral das Nações Unidas, nos Estados Unidos. Ele publicou a carta que enviou ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, comunicando a decisão.
"Fiel ao seu engajamento histórico por uma paz justa e durável no Oriente Médio, decidi que a França reconhecerá o Estado da Palestina", escreveu Macron.
O presidente francês voltou a pedir um cessar-fogo imediato, a libertação dos reféns ainda em poder do Hamas e a entrada massiva de ajuda humanitária em Gaza.
"Também é necessário garantir a desmilitarização do Hamas e reconstruir [o território palestino]", continuou Macron. "Por fim, precisamos construir o Estado da Palestina e garantir sua viabilidade para que, com a desmilitarização e reconhecimento pleno de Israel, contribua para a segurança de todo o Oriente Médio. Não há outra alternativa." A França é o país com a maior comunidade judaica e a maior comunidade árabe na Europa.
EUA CONTINUAM APOIANDO ISRAEL
A decisão de Macron aumenta a pressão diplomática que os países europeus vêm exercendo sobre Israel - ainda que não tenham, por enquanto, colocado em questão as exportações de armas e cooperação militar com Tel Aviv. O maior fiador do Estado judaico no mundo, os EUA, também não mostram sinais de que pretendem se distanciar do principal aliado no Oriente Médio.
O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, reagiu rapidamente ao anúncio de Macron, repetindo o argumento de que, com o reconhecimento, a França "recompensa o terrorismo e arrisca a criação de outro aliado iraniano" que poderia ameaçar Israel. O ministro da Defesa, Israel Katz, disse que a decisão de Macron "é uma vergonha e uma rendição ao terrorismo".


