Fragilizado, papa visita a Suíça
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sábado, 05 de junho de 2004
Patrick Baert<br> France Presse 
Berna - O Papa João Paulo II, com o estado de saúde muito fragilizado, chegou ontem à Suíça para uma visita de um dia e meio, a primeira fora da Itália em oito meses, causando agitação dentro das Igrejas Católica e Protestante.
O Sumo Pontífice foi recebido pelo presidente da Confederação Suíça, Joseph Deiss, no aeroporto de Payerne, a 50 km de Berna.
A cerimônia de recepção a João Paulo II, que acaba de completar 84 anos, foi atrasada em alguns minutos, enquanto o Santo Padre era ocultado por uma cortina branca.
Com a cabeça inclinada e os olhos semicerrados, andando em sua cadeira de rodas elétrica, João Paulo II cumprimentou os dirigentes suíços que o aguardavam.
Com dificuldade, o Papa leu todo o seu discurso de chegada em alemão, francês e italiano, as três línguas oficiais da Suíça. Ele saudou com deferência os cristãos de outras confissões e comemorou o fato da divina providência o ter levado a um povo que conserva antigas tradições e que se abriu à modernidade.
Deiss deu as boas-vindas ao Santo Padre, fazendo referência à agitação que sua visita despertou na Suíça, dividida entre 46% de católicos e 40% de protestantes.
Os problemas de saúde do Papa são tão visíveis que muitos analistas consideram que esta será sua última viagem fora da Itália.
Os protestantes suíços se negaram a participar da missa ao ar livre que João Paulo II celebra hoje, explicando que não estão autorizados pelo Vaticano a receber a comunhão católica.
Eles lamentaram os obstáculos impostos pelo Vaticano às relações entre as duas Igrejas, um pouco antes da chegada de João Paulo II.
Lamento constatar que a unidade de nossas duas Igrejas não tem sido completa, afirmou ao jornal Le Temps o porta-voz da Federação de Igrejas Protestantes da Suíça (FEPS), Simon Weber. E eu desejo, em nome da FEPS, que o Papa contribua para suprimir os obstáculos entre nossas duas confissões, acrescentou. Do nosso ponto de vista, é Cristo quem convida os homens e mulheres a sua mesa. E a partir desse momento todos devem sentir-se convidados, sem qualquer forma de discriminação, protesta Weber.
O porta-voz destaca que em Berna, cidade de maioria protestante, o Papa estará em uma região da Suíça na qual católicos e protestantes se aproximaram muito na base.


