O primeiro-ministro israelense Ehud Barak, que na terça-feira se resignou à convocação das eleições antecipadas, aposta sem dúvidas na conclusão de um acordo com os palestinos nas próximas semanas para permanecer no poder.
Na terça-feira sua situação política parecia insustentável. Desde julho dirige um governo minoritário e debilitado. Sua popularidade foi desaparecendo gradativamente a medida que se prolongava a sublevação palestina e aumentava o número de vítimas israelenses, que já chegam a 35.
Entretanto, o discurso combativo que fez ontem no parlamento (Knesset) e as declarações de seu chanceler, Shlomo Ben Ami, mostram que Barak, está longe de renegar sua política frente ao presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat.
Barak também não renega as concessões que pensava fazer na cúpula realizada em julho em Camp David, ao contrário, pensa em dar continuidade ao processo de paz e se apresentar aos eleitores.
Barak continuará no poder até as eleições, que com certeza acontecerão na primavera (boreal). ‘‘O único caminho é um acordo de paz’’, declarou, reiterando à direita que a solução para a Intifada não era militar, mas política.
Barak está decidido a fazer campanha pedindo um acordo de paz com os palestinos.
Parece uma esperança ousada, tendo em conta a situação no território, onde a violência continua e 292 pessoas já morreram desde o dia 28 de setembro.
Entretanto, Ben Ami se mostrou moderadamente otimista e afirmou que tudo dependia dos palestinos.
‘‘Eles decidirão. Se os palestinos estiverem decididos, depois que esta violência diminuir, a realizar as negociações de paz, estamos de dispostos a fazê-lo’’, disse em entrevista ao canal de televisão CNN.
Apesar disso, Ben Ami afirmou que nos últimos dias havia observado um esforço mais sério da parte da direção palestina em colocar fim à violência’’, requisito para qualquer retomada da negociação para Israel.
Foram registrados menos incidentes nos dois últimos dias, ainda que um palestino de 17 anos tenha morrido na Faixa de Gaza na terça-feira. Foi o primeiro palestino morto por disparos do exército desde a noite de domingo.
O chanceler israelense também afirmou categoricamente que as próximas eleições não terão um impacto negativo no processo de paz.
‘‘Não creio que o fato de estarmos em período eleitoral signifique que mudaremos nossa política ou que os palestinos mudarão a sua’’, afirmou.
‘‘Nós sabemos mais ou menos quais são as possíveis linhas de solução entre nós e os palestinos’’, acrescentou o ministro. A declaração é uma clara referência à última cúpula de Camp David, que emperrou na questão de Jerusalém.
O líder do Likud, Ariel Sharon, declarou-se ontem favorável à criação de um ‘‘governo de emergência nacional’’ com Barak até as eleições. ‘‘Os chefes dos partidos da oposição se reunirão hoje (ontem) e se houver um convite do primeiro-ministro, viremos e falaremos com ele’’, disse.
Mas Sharon afirmou também que as eleições antecipadas são ‘‘inevitáveis’’. O Likud e os trabalhistas deveriam conversar durante o dia de ontem para marcar a data exata, informou a rádio estatal.

mockup