O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse ontem fazer uma ''pequena torcida'' para que a Argentina caminhe para a desvalorização do peso. Para ele, a desvalorização seria uma boa opção para o Brasil e para o país vizinho porque permitiria a retomada do crescimento da economia argentina pelo menos no médio prazo e abriria espaço para a discussão, no futuro, da criação de uma moeda comum no Mercosul.

''Existem várias possibilidades no curto prazo que vão de um extremo (dolarização) a outro (desvalorização). Eles podem escolher uma coisa no meio do caminho'', declarou Fraga.

O presidente do BC afirmou ainda que ''a grande torcida'' é para que a Argentina consiga retomar o crescimento econômico, interrompendo uma recessão que já dura mais de três anos.

Fraga reconheceu que a situação argentina oferece risco financeiro real às empresas exportadoras brasileiras, mas afirmou não acreditar em calote. ''Não é agradável. No momento, eu não gostaria de estar na posição de alguém que está vendo um pagamento que vai atrasar'', avaliou.

Na avaliação do presidente do BC, a depreciação do câmbio argentino não traria problemas macroeconômicos para o Brasil administrar. ''Poderia acontecer de um ou outro setor se beneficiar ou se prejudicar'', disse.

Fraga adiantou que o governo não deverá recorrer a um empréstimo adicional do FMI para enfrentar turbulências decorrentes da situação argentina. Não há intenção, enfatizou ele, de sacar nem mesmo os US$ 11 bilhões à disposição do Brasil pelo atual acordo com o Fundo.

O presidente do BC considerou a reação do mercado brasileiro à crise argentina positiva, tendo havido apenas uma variação moderada da taxa de câmbio.

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