Fracasso derruba o primeiro-ministro
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segunda-feira, 26 de maio de 1997
Raúl Zamora, da France Presse, de Paris 
France PresseVítimaAlain Juppé já foi sacrificado, no que se considera a última cartada para evitar a vitória da esquerda O presidente Jacques Chirac queimou o que parece ser seu último cartucho para evitar que a esquerda vença o segundo turno das eleições parlamentares de domingo: seu primeiro-ministro, Alain Juppé, anunciou ontem que deixará o cargo depois do segundo turno, independente do desempenho do governo.
Os eleitores acabam de nos fazer uma severa advertência, disse Juppé, depois de uma entrevista no Palácio do Eliseo com o presidente Jacques Chirac. Uma nova etapa deve começar e para realizá-la com sucesso é preciso ter objetivos claros. É preciso uma nova equipe, animada por um novo primeiro-ministro. Levarei a luta até o fim. Depois disso, acredito que minha tarefa estará cumprida, disse Juppé.
Assim, cai o homem de confiança do presidente Chirac, de quem o chefe de Estado nunca se separou nestes dois anos de presidência apesar das pressões, inclusive de seus partidários.
A cabeça de Alain Juppé aparecia como o último recurso de Chirac, conforme estimam políticos e até a própria imprensa partidária do chefe de Estado, como o jornal Le Figaro de ontem: A direita só pode ganhar (no segundo turno do próximo domingo) mudando de tom, de cabeças, de discursos.
A campanha será forte e alegre, havia declarado quando o presidente Chirac dissolveu a Assembléia Nacional (Câmara de Deputados) em 21 de abril. A Assembléia, no entanto, era dominada em 80% pelos partidários do próprio Chirac e seu mandato durava até março de 1998.
Chirac pretendia assim - aconselhado por seu primeiro-ministro, segundo comentários - evitar uma vitória da esquerda em março de 1998.
Os analistas estimavam que a política de austeridade a ser aplicada na França para adaptá-la à moeda única européia e ao desenvolvimento da União Européia deveria agravar a impopularidade do chefe de Estado e do governo.
A estratégia não deu os resultados esperados: contra tudo o que foi anunciado a esquerda surpreendeu domingo obtendo cerca de 40% dos votos contra 36% da direita.


