Enfrentando sua primeira crise política – rompimento das negociações com aliados do ex-ditador Slobodan Milosevic para formação de um governo de transição na Sérvia –, o novo presidente iugoslavo, Vojislav Kostunica, tomou conhecimento oficial ontem da decisão da União Européia (UE) de levantar as sanções econômicas contra a Iugoslávia. Ele se reuniu na capital iugoslava com Hubert Védrine, ministro das Relações Exteriores da França, país que exerce a presidência rotativa da (UE).
‘‘Não se trata apenas de restabelecer os vôos da Yugoslav Airlines ou de levantar o embargo de petróleo’’, explicou o novo presidente iugoslavo. ‘‘A UE está abrindo as portas para uma aproximação com a Iugoslávia e para renovar nossas relações com as instituições financeiras internacionais.’’
O chanceler francês disse que a UE ajudará a Iugoslávia a levantar-se, contribuindo para a democratização e reconstrução do país, bombardeado no ano passado pela aviação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Kostunica reconheceu a ‘‘delicada situação’’ dos prisioneiros de etnia albanesa em cárceres sérvios, mas mencionou, em contrapartida, o drama dos sérvios que fugiram de Kosovo. O novo presidente evitou falar sobre o futuro de Milosevic, acusado de crimes de guerra pelo Tribunal Penal Internacional. A entrega do ex-ditador ao TPI figura entre as condições apresentadas pela UE e EUA para o restabelecimento pleno das relações com a Iugoslávia.
A Oposição Democrática Sérvia (frente de 18 partidos que elegeu Kostunica) sofreu um revés ontem. Os partidos Socialista, Esquerda Democrática e Radical Sérvios (todos vinculados a Milosevic) retiraram-se das negociações para formar um governo de transição na Sérvia. Protestam contra agressões sofridas por seus simpatizantes em todo o país.