Fracassa tentativa de paz; clima é tenso no Oriente Médio
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quinta-feira, 05 de outubro de 2000
Associated Press De Belém 
Uma frágil trégua mediada pelos EUA parecia consolidar-se ontem no Oriente Médio, enquanto Israel retirava seus tanques das zonas mais sensíveis em torno de várias cidades na Cisjordânia. Mas em Belém, na mesma região, um palestino foi morto e outro morreu num cruzamento da Faixa de Gaza, um dos pontos mais voláteis do atual conflito.
A reunião de Paris entre Madeleine Albright, Yasser Arafat e Ehud Barak, destinada a devolver a calma aos territórios palestinos, terminou ontem em fracasso, devido em parte aos desacordos sobre a criação de uma comissão internacional de investigação.
O primeiro-ministro israelense Ehud Barak acusou o líder palestino Yasser Arafat de não querer firmar um acordo para acabar com a violência, que causou 73 mortos em uma semana, quase todos palestinos e árabes israelenses.
Barak partiu de Paris ontem de madrugada com destino a Israel, depois de ter cancelado sua viagem ao Egito, onde prosseguiriam as conversações com palestinos e norte-americanos.
Arafat recusou-se a assinar o texto de um acordo que tinha sido preparado pelas duas partes, enquanto o primeiro-ministro Barak não viu interesse em viajar ao Egito, tendo em conta que as negociações sobre a segurança estavam paralisadas, afirmou de madrugada uma alta autoridade israelense.
Os palestinos explicaram a recusa em firmar o acordo por seus dispositivos desequilibrados, que não distinguem entre as vítimas da violências os civis palestinos e o todo-poderoso exército israelense.
Os desacordos sobre a criação de uma comissão internacional de investigação para determinar as responsabilidades na escalada da violência também foram determinantes no fracasso da reunião de Paris, informaram fontes palestinas.
Tanto na Cisjordânia como em Gaza, os funerais das vítimas dos dias anteriores ocasionaram alguns tumultos, despertando em israelenses e palestinos o temor de que eles possam crescer de intensidade hoje, com as orações muçulmanas do meio-dia servindo de exortação à retomada da violência.
O primeiro-ministro Ehud Barak disse estar decidido a deter a violência e retomar o processo de paz. Mas em ambas as partes são evidentes a desconfiança e a amargura, apesar de os dois comandos terem assumido o compromisso informal de evitar os conflitos.
Ao participar de uma cerimônia em memória dos pára-quedistas mortos nas guerras passadas, Barak disse que ainda não chegou o momento de transformar as espadas em arados, mas prometeu fazer todo o possível para obter a paz e a segurança para esta torturada e sofrida terra. Mais tarde, falando à imprensa, ele disse que será uma longa luta, com altos e baixos.
Arafat, ao regressar a Gaza, foi indagado sobre a possiblidade de futuras negociações. Assim esperamos, respondeu o líder palestino. Mas, antes de mais nada, devemos deter as matanças contra nosso povo, nossos estudantes, jovens, mulheres e crianças.
Apesar de se culparem mutuamente pela violência e a desordem, as duas partes começaram a trabalhar juntas para contê-las.
Agentes de segurança israelenses e palestinos se reuniram ontem a fim de propor medidas para evitar novos combates, de acordo com o estabelecido nas conversações em Paris.
Após um funeral, ontem, na cidade de Hebron, na Cisjordânia, os palestinos enfrentaram a pedradas as tropas israelenses na rua principal, e três ficaram feridos por balas de borracha.
Uma das mortes ocorreu no cruzamento de Netzarim, em Gaza cenário de várias outras batalhas nos últimos dias quando os palestinos atacaram um posto avançado isralense que protege uma estrada que conduz a um assentamento judeu. Pelo menos outros nove palestinos ficaram feridos.
Outra morte ocorreu nos arredores de Belém, quando membros de um grupo de paramilitares pró-Arafat atiraram coquetéis molotov contra soldados israelenses, respondendo aos tiros dos primeiros, disse uma fonte do Exército israelense. Um palestino morreu e outro ficou ferido.
Em Khan Younis, na Faixa de Gaza, palestinos que acompanhavam o funeral de um menino de 12 anos morto por tiros do Exército israelense desfraldaram bandeiras do grupo fundamentalista islâmico Hamas.
Sem ser um radical, Sael Abu Jamaa, de 24 anos, que recebeu anteontem um tiro na perna durante um confronto em Netzarim, expressou seus sentimentos: Eu vou continuar atirando pedras até morrer - ou até a vitória.


