Fracassa negociação Índia-Paquistão
Associated Press
Os chanceleres do Paquistão, Sartaj Aziz, e da Índia, Jaswant Singh, estiveram reunidos ontem, em Nova Délhi, por cerca de uma hora, para tentar resolver a crise entre os dois países pelo disputado Estado da Caxemira, que já dura um mês. Segundo fontes indianas, Singh intimou seu colega paquistanês a pôr fim às agressões. Nova Délhi acusa o Exército do Paquistão de organizar e dirigir a infiltração em seu território de guerrilheiros muçulmanos. Por sua vez, Islamabad alega que os guerrilheiros são defensores da liberdade da Caxemira e nega que seus soldados estejam envolvidos no conflito.
Foi o primeiro contato dimplomático entre ambos os países desde os recentes combates ocorridos na região himalaia da Caxemira.
Os detalhes das conversações não foram divulgados, mas a agência United New of Índia citou fontes oficiais como tendo dito que Singh expressou a Aziz a indignação da Índia com o fato de que seis de seus soldados mortos cujos corpos estão sendo mantidos pelas autoridades paquistaneses haviam sido torturados, assassinados e seus corpos mutilados.
A resposta do Paquistão não foi divulgada. Depois de uma manhã de conversações, ambos os chanceleres suspenderam a reunião para almoço, e deveriam voltar a se reunir mais tarde. Protestos anti-Paquistão marcaram a visita de um dia de Aziz à capital da Índia, sendo cercado por um forte esquema de segurança.
Há mais de 50 anos, a Índia e o Paquistão disputam a região vizinha ao Himalaia, de maioria muçulmana. A Índia detém dois terços do território, enquanto que o Paquistão controla a parte Norte. Desde o início de maio, as forças indianas tentam desalojar centenas de combatentes islâmicos infiltrados ao Norte da Caxemira indiana, provenientes do Paquistão. Islamabad desmente ser responsável pelo que a Índia qualifica de agressão, reforçando a fronteira.
Pela primeira vez, a Índia usa a aviação em Caxemira contra guerrilheiros islâmicos. A tensão aumentou a níveis jamais alcançados, desde a terceira guerra entre os dois países na disputa pela região, em 1971.
A disputa remonta a 1947, quando a colônia britânica da Índia foi dividida em duas: uma Índia de maioria hindu (a atual Índia) e outra de maioria muçulmana (hoje, o Paquistão)
Hari Singh, um marajá hindu que reinava na Caxemira muçulmana, resistiu às pressões pela criação de dois países, com a esperança de obter a independência. Quando algumas tribos apoiadas pelo Paquistão invadiram o norte da região, Singh pediu ajuda à Índia.
Assim as duas nações iniciaram sua independência em 1947, com uma guerra em torno de Caxemira. A ONU interveio para separar os combatentes, mas um projeto de referendo pela autodeterminação foi logo posto de lado, e uma nova guerra começou em 1965.
O Paquistão acredita que a Caxemira muçulmana lhe pertence. A Índia, cuja Constituição é laica, afirma não poder ceder territórios, tomando por base motivos religiosos.
Uma esperança de paz aconteceu em fevereiro, quando o primeiro-ministro nacionalista indiano, Atal Behari Vajpayee, foi a Lahore, no Paquistão, para se encontrar com seu colega Nawaz Shariff, na primeira cúpula entre os dois países, em dez anos.
Mas três meses mais tarde os combates recomeçaram e a Índia agora acusa Islamabad de ter organizado a invasão dos guerrilheiros, entre eles soldados paquistaneses.





