Fracassa na ONU acordo antinuclear
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sábado, 28 de maio de 2005
Folhapress 
São Paulo - A conferência da ONU que revisava o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) terminou sem um acordo para impedir a disseminação de armas nucleares, anunciou ontem o embaixador brasileiro Sérgio Duarte, que presidia o evento. Em seu discurso de encerramento, Duarte lamentou não ter sido possível chegar a um consenso, ao contrário das duas últimas conferências
- realizadas em 1995 e 2000.
Os problemas surgiram com as posições dos EUA, Irã e Egito. Os americanos não quiseram se comprometer com o atual tratado; o Irã exigia que a comunidade internacional reconhecesse seu direito de utilizar a tecnologia nuclear de forma pacífica, e o Egito insistia em impor sanções contra Israel pelo fato de esse país não ter declarado suas armas atômicas e por não ter reconhecido o TNP.
O fracasso vem em um momento crítico na luta contra a proliferação nuclear. Os EUA e a União Européia (UE) estão preocupados com diversos países que estão desenvolvendo programas nucleares - especialmente a Coréia do Norte e o Irã. A maior preocupação dos americanos e europeus é que um desses Estados produza uma arma atômica ou que o material nuclear caia na mão de grupos terroristas.
A Coréia do Norte se retirou do TNP em 2003 e afirma ter armas atômicas, enquanto o Reino Unido, a França e a Alemanha estão tentando convencer o Irã -por meios diplomáticos - a suspender suas atividades.
A idéia básica do TNP é que os EUA e a Rússia - que têm arsenal nuclear- façam acordos sobre o próprio desarme, enquanto os outros países se comprometeriam a não adquirir armas. No entanto, segundo fontes diplomáticas, alguns países se recusam agora a aceitar o atual status quo se o desarmamento não for mais efetivo e defendem a posição do Irã, que diz querer usar a tecnologia nuclear apenas para fins pacíficos.
Mohamed El Baradei, chefe da AIEA, a agência nuclear da ONU, qualificou o fracasso de lastimável e disse que a conferência acabou como começou: com um sistema cheio de erros e sem um itinerário para solucionar todos os problemas.


