France PresseResponsávelO presidente norte-americano, Bill Clinton, é recebido pelo secretário geral da ONU antes de falar na CúpulaA segunda Cúpula da Terra terminou ontem, em Nova York, sem declaração política final, após fracassarem as tentativas para se conseguir um acordo sobre medidas concretas destinadas a evitar uma degradação irreversível do meio ambiente em todo o planeta. ‘‘Houve falta de vontade política’’, disse à imprensa o presidente da Assembléia Geral da Onu, Razali Ismaíl. Precisou que a Cúpula da Terra adotaria no entanto um documento final incluindo um programa de ação com ‘‘alguns resultados positivos’’ do evento.
‘‘Foi um fracasso total’’, disse à imprensa Thilo Bode, dirigente da organização ecológica Greenpeace, que acusou de ‘‘claudicantes’’ os governos participantes.
Os representantes dos 160 países participantes da Cúpula da Terra concluíram suas resoluções ontem. A falta de acordo foi patente em particular quanto às medidas a tomar para se lutar contra o reaquecimento do planeta.
A Cúpula examinou durante cinco dias o caminho percorrido desde a conferência realizada no Rio de Janeiro em 1992.
A única medida aprovada por consenso foi a elaboração de um programa de proteção dos recursos de água doce, mas sem o financiamento necessário para respaldá-lo.
‘‘O resultado global é bastante discreto’’, disse Razali. ‘‘Esta é uma espécie de sinal de alarme para a Onu’’, acrescentou.
A falta de consenso ocorre depois que o presidente americano Bill Clinton omitiu qualquer compromisso, quinta-feira, com vistas ao estabelecimento de limites obrigatórios para a emissão de gases poluentes responsáveis pelo reaquecimento do planeta.
Pressionado pelo Congresso e pelos grandes grupos industriais, Clinton se negou a aceitar a proposta européia de um limite para a emissão desses gases, que a reduziria em 15% até 2010 em relação ao nível registrado em 1990. O assunto será debatido numa conferência internacional prevista para dezembro próximo em Kyoto (Japão).

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