Fox quer reunião com comandante zapatista
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de março de 2001
Associated Press Da Cidade do México 
Diante do anúncio de que a guerrilha zapatista está regressando a Chiapas, o presidente mexicano, Vicente Fox, convocou o subcomandante Marcos para um encontro, anunciou a libertação de rebeldes presos e a transformação de bases militares em centros comunitários.
Estou enviando uma carta ao subcomandante Marcos antes de seu retorno a Chiapas; proponho que tenhamos um diálogo que conduza à aprovação do (texto) que enviei ao Congresso da União e impulsione todo o país a um ambicioso programa de desenvolvimento humano para os 10 milhões de irmãos e irmãs indígenas, afirmou o mandatário em entrevista à imprensa.
Os 24 representantes do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) chegaram à capital mexicana na tentativa de apresentar suas propostas perante o plenário do Congresso pedido que lhes foi negado, o que os levou a anunciar que regressarão ao Estado de Chiapas, seu lugar de origem, na próxima sexta-feira.
Na declaração de cinco pontos que fez, ontem, Fox deu mostras de ter vontade política para negociar a paz, cumprindo parte das demandas do EZLN: um decreto por meio do qual liberta os prisioneiros zapatistas ainda detidos, e o anúncio de que transformará as instalações militares em centros comunitários.
Estou procedendo à emissão de um decreto para transformar as instalações (militares) de Guadalupe Tepeyac, Río Euseba e La Garrucha em centros para o desenvolvimento das comunidades indígenas, disse o mandatário.
O EZLN havia pedido a retirada dos soldados de sete bases militares em Chiapas; das sete, Fox já havia antes ordenado a desocupação de quatro.
Onde havia armas haverá corações e vontades que promovam a dignidade de nossos irmãos e irmãs indígenas, todos nós queremos que a paz seja uma realidade, afirmou o presidente.
Fox também apelou ao Congresso para que inicie o diálogo com o EZLN. Até agora, uma parte dos legisladores vem se negando a permitir o acesso dos guerrilheiros à tribuna máxima da nação e, em troca, ofereceram aos zapatistas espaços alternativos no Congresso.
O comando zapatista não respondeu a este novo convite do presidente mexicano.


