Fox assume pondo fim a um regime de 71 anos
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sábado, 02 de dezembro de 2000
Marcelo Brusa France Presse Da Cidade do México 
O conservador populista Vicente Fox pôs fim ontem a 71 anos de governo ininterrupto do Partido Revolucionário Institucional (PRI), ao assumir a presidência do México, à qual chegou com o apoio de milhões de habitantes que reclamam uma mudança frente à corrupção endêmica, a pobreza e o autoritarismo que dominam o país.
Fox, um fazendeiro e ex-gerente da Coca-Cola, receberá a faixa presidencial no Palácio de San Lázaro, sede do poder legislativo, em uma cerimônia cujo início está previsto para as 11 horas locais (16 horas de Brasília), com a presença de 19 presidentes, primeiros-ministros, membros da realeza e representantes oficiais.
Mas o novo presidente começou o dia de ontem muito cedo quando, às 7 horas, foi à Basílica de Guadalupe para orar ante a Virgem Morena, marcando assim uma simbólica, ainda que radical, religiosidade em um país que foi governado quase três quartos de século por um partido laico, com militantes de raízes anticlericais.
Depois Fox tomou café da manhã com meninos de rua para, em seguida, dirigir-se ao Congresso onde vai ser empossado como o chefe de Estado do maior país de fala hispânica do mundo.
O novo presidente venceu as eleições de 2 de julho passado, com 45,2% dos votos em um processo irreprovável, fruto das reformas políticas do atual chefe de Estado, Ernesto Zedillo depois de décadas de fraudes em suas formas mais folclóricas e mais sofisticadas.
Em um jantar oferecido na noite de anteontem por Zedillo a 40 chefes de Estado, governo ou representantes oficiais de outras tantas nações chegados ao México, o atual presidente fez um brinde ao êxito do governo de Vicente Fox e à união de todos os mexicanos.
Fox governará com um Congresso adverso, já que ambas as câmaras são minoria diante do PRI, nascido daqueles que triunfaram na Revolução Camponesa de 1910 (liderada por Pancho Villa e Emiliano Zapata) e que governou desde então sem interrupção, passando do nacionalismo revolucionário ao neoliberalismo tecnocrata.
O novo presidente encontra um país contraditório, com uma macroeconomia florescente (5% de crescimento médio anual do Produto Interno Bruto, inflação menor aos 10%, décima potência exportadora mundial) e 40 milhões de pobres.
Não podemos continuar tendo um crescimento macroeconômico se não são sentidos os benefícios em cada lar. (...) O ser humano é o objetivo final do desenvolvimento, declarou Fox esta semana ao anunciar os membros de seu gabinete social.
Fox, que completou 58 anos no dia em que ganhou a presidência, depois de empossado foi para o Auditório Nacional, em uma zona aristocrática e cosmopolita da capital, de onde dirigiu sua primeira mensagem à nação diante de 10 mil convidados.
Nessa mensagem, espera-se que volte a tocar nos temas centrais e pendentes do México: a marginalização, o autoritarismo, a rebelião indígena de Chiapas, a corrupção, a violência e o narcotráfico.
Depois assistiu a uma cerimônia no Campo Marte e, em seguida, foi para o centro histórico da cidade, onde fez um desfile em carro aberto até o Palácio Nacional, onde almoçou com convidados.
À noite, o novo presidente que revolucionou a pacata política mexicana com seu estilo extrovertido, às vezes beirando a grosseria dirigiu do balcão do Palácio Nacional e ante a gigantesca Plaza del Zócalo uma nova mensagem.
Anteontem o dia foi aproveitado por Fox para uma série de reuniões com os chefes de Estado reunidos o México, entre os quais Fernando de la Rúa (Argentina), Fernando Henrique Cardoso (Brasil), Andrés Pastrana (Colômbia), Ricardo Lagos (Chile), Mireya Moscoso (Panamá) e Hugo Chávez (Venezuela).


