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suspeitaImagens tomadas de aviões até sexta-feira, dia 9, mostram um terreno virgem. Outras tiradas posteriormente do mesmo local apresentam manchas pretas de forma quadrada e retangular. Segundo refugiados, forças sérvias estariam obrigando suas vítimas a abrir as próprias covasEnquanto reduzia a intensidade dos bombardeios da Iugoslávia em consequência da Páscoa ortodoxa e do mau tempo ontem, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) exibiu fotos aéreas ‘‘alarmantes’’ de supostas valas em Kosovo onde forças de segurança sérvias poderiam ter sepultado às pressas centenas de corpos de albaneses étnicos massacrados.
Imagens tomadas de aviões até sexta-feira, dia 9, mostram um terreno virgem. Outras tiradas posteriormente do mesmo local apresentam manchas pretas de forma quadrada e retangular.
‘‘Podem ser fossas comuns’’, disse o porta-voz da Otan, Jamie Shea. ‘‘É uma interpretação fundamentada em nossa experiência na Bósnia-Herzegovina, onde muitas fossas comuns foram identificadas por fotos feitas de aviões e satélites’’, acrescentou. ‘‘A forma parece similar às tomadas pelas câmeras na Bósnia.
Shea disse que só uma investigação de campo poderá revelar a verdade. ‘‘Isso será feito um dia por investigadores do TIP (Tribunal Internacional Penal para crimes de guerra na ex-Iugoslávia).
Denúncias de extermínio em massa na região têm sido feitas com frequência por refugiados que cruzam as fronteiras da Albânia e da Macedônia e por guerrilheiros do Exército de Libertação de Kosovo (ELK). Segundo algumas delas, forças sérvias (soldados, policiais e paramilitares) estariam obrigando suas vítimas a abrir as próprias covas.
Ao cruzar a fronteira albanesa na região de Kukes, Fatima Breznica, de 24 anos, contou chorando seu drama. ‘‘Sábado ao meio-dia, paramilitares sérvios mascarados e armados até os dentes entraram em Miradi e Ulet (subúrbios de Pristina, capital de Kosovo) e começaram a disparar para o ar. Em seguida, deram prazo de uma hora para a gente sair dali sem levar nada, dizendo que voltariam para matar todos os que ousassem ficar.
France PresseRefugiados têm denunciado com frequência o extermínio na regiãoO chanceler britânico, Robin Cook, estima em 400 mil o número de albaneses étnicos aterrorizados que fugiram de suas aldeias e estão escondidos nas montanhas e florestas da região, passando fome e frio. Cook manteve contato por telefone com Hashim Thaqi, chefe do ELK e principal negociador dos albaneses étnicos no Castelo de Rambouillet (França).
Fontes oficiais britânicas estimam em mais de cem mil o total de homens albaneses étnicos (entre 16 e 60 anos), desaparecidos na província. ‘‘Muitos podem ter sido feitos prisioneiros, ou mesmo exterminados, pelos sérvios ou ainda recrutados pelo ELK’’, ressaltou o chanceler britânico.
O Alto Comissariado da ONU para Refugiados estima em 650 mil o total de albaneses étnicos forçados a abandonar Kosovo desde 24 de março, quando começaram os bombardeios. A Otan informou que está estudando um plano de emergência para atender a pelo mais 180 mil, que deslocavam-se na província hoje em quatro blocos distintos. E aprovou o envio de mais oito mil soldados para a Albânia, com a finalidade de executar tarefas na área de ajuda humanitária.
Soldados sérvios foram vistos por observadores da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) plantando minas antiterrestres ao longo da fronteira albanesa, onde ainda lutam com guerrilheiros do ELK. Dois foguetes sérvios atingiram a cidade albanesa de Tropoja, localizada a 15 quilômetros da fronteira, matando instantaneamente duas pessoas, informou Adrea Angeli, porta-voz da OSCE. ‘‘Foi a primeira vez que bombardeios sérvios causaram vítimas fora da fronteira iugoslava.’
A porta-voz acrescentou que os combates envolvendo sérvios e rebeldes albaneses começaram na sexta-feira e prosseguiam ontem.
Na capital belga, o porta-voz da Otan David Wilby disse que aviões da aliança lançaram ontem sobre os céus da Iugoslávia 2,5 milhões de foguetes, explicando detalhadamente os motivos dos bombardeios.

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