São Paulo - O diretor do tablóide ‘‘Daily Mirror’’ foi demitido ontem, depois de comprovado que eram falsas as fotografias que estavam sendo publicadas há duas semanas e que mostravam militares britânicos supostamente torturando prisioneiros no Iraque. Piers Morgan foi o responsável por um comunicado da empresa proprietária do jornal britânico, classificando de ‘‘uma falsidade calculada e maliciosa’’.
  Na manhã de ontem, Morgan dissera a seus subordinados que não renunciaria e manteve a versão de que eram autênticas as fotografias obtidas por meios não revelados. Seus argumentos se tornaram insustentáveis quando horas depois o Regimento Real de Lancashire, cujos integrantes seriam os supostos torturadores, demonstrou que armas, uniformes e até um caminhão que aparece numa das fotografias não eram encontrados no Iraque.
  A assessoria do premiê Tony Blair não quis comentar o episódio, dizendo tratar-se de um assunto interno ao jornal. Mas Blair é um dos grandes beneficiados pelo desfecho do episódio de carregadas implicações políticas.
  O episódio que envolveu o ‘‘Mirror’’ não afastou em definitivo a suspeita de que, a exemplo dos soldados norte-americanos, soldados britânicos também tenham torturado prisioneiros durante a ocupação do Iraque. Dois médicos dinamarqueses disseram que viram em hospitais britânicos dois prisioneiros que foram duramente espancados. Um deles morreu.
  Na quarta-feira, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, comentou um relatório divulgado pela Anistia Internacional, que afirmava que soldados britânicos atiraram e mataram civis iraquianos, inclusive uma menina de oito anos, em diversas situações em que as tropas não estavam sob nenhuma ameaça aparente.
  O primeiro-ministro afirmou que o documento listou apenas um caso de morte de civil que ainda não era conhecido pelo governo. ‘‘Qualquer abuso cometido por qualquer força da coalizão é completamente inaceitável. O que não é verdade é que as alegações foram feitas e nada aconteceu em respeito a elas’’, disse Blair.

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