Fórum Social Mundial começa amanhã na África
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de janeiro de 2006
France Presse 
Paris - O Fórum Social Mundial, encontro anual do movimento antiglobalização, abandona este ano seu berço, em Porto Alegre, para explorar as realidades sociais de três continentes: a África, a partir de amanhã com um primeiro fórum em Bamako, e depois América Latina e Ásia.
Pela primeira vez ''policêntrico'', o grande evento dos oponentes à globalização liberal seguirá para a capital malinesa entre 19 e 23 de janeiro, e em seguida para Caracas, entre 24 e 29 de janeiro.
O VI FSM, que em 2004 se distanciou de Porto Alegre, instalando-se na Índia para um fórum único, seguirá ainda para Karachi, no Paquistão, no fim de março, afirmam os organizadores, mas o terremoto de 8 de outubro, que deixou 73 mil mortos e 3,5 milhões de desabrigados, complicou a organização do evento.
Como sempre, o FSM coincide com o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, ponto de encontro das máximas autoridades políticas e econômicas, demonizados pelos manifestantes antiglobalização. Em Caracas, onde são esperadas 120 mil pessoas, 80% delas venezuelanas, o fórum será marcado por ''cartadas claramente políticas na mesa'', disse um dos fundadores do FSM, Cândido Grzybowski.
''É uma sorte e um problema porque certas organizações cooperam com determinados governos de esquerda eleitos no continente e outras os criticam'', explicou.
Além de Hugo Chávez, anfitrião do fórum, foi anunciada a presença dos presidentes brasileiro e boliviano, respectivamente Luiz Inácio Lula da Silva e Evo Morales, do intelectual americano Noam Chomsky e do escritor argentino Ernesto Sábato.
A miríade de militantes antiglobalização, que reúne sindicalistas, ecologistas, economistas e libertários para denunciar a economia neoliberal e suas consequências sociais e ambientais, está dividida em torno da questão do poder, explicou o pesquisador Eddy Fougier.
A inclinação para a esquerda, marcada no continente, onde a socialista Michelle Bachelet foi eleita no domingo passado como presidente do Chile, estará muito presente nas 2.300 atividades inscritas no programa.
Entre os sete temas principais de Caracas, está a questão do ''poder político'' e as ''lutas para a emancipação social'', junto com questões mais filosóficas como ''a mercantilização da vida''. Em Bamako, prelúdio do único FSM de 2007 previsto em Nairóbi, capital do Quênia, se falará de guerra, ''dívida e comércio mundial'', ''agressões contra as sociedades camponesas''.


