Nairóbi - O maior sindicato mundial lançou ontem, durante o Fórum Social Mundial que está acontecendo em Nairóbi, na África, uma campanha para o ''emprego decente'' dos trabalhadores que construirão ou renovarão os estádios de futebol para a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul.
''O futebol é o esporte mais popular do mundo. Há milhões de pessoas que acompanham eventos como uma Copa do Mundo, mas as pessoas não têm nem idéia das condições nas quais os estádios são construídos'', declarou Andrea Maksimovic, coordenadora internacional da Confederação Sindical Internacional (CSI).
A CSI, o maior sindicato mundial, nascido no fim de 2006, possui 306 associações filiadas e representa 168 milhões de assalariados.
''Na África do Sul, onde 46% da população ativa não tem emprego, acredita-se que a Copa do Mundo dará trabalho a 300 mil pessoas, cujos direitos devem ser defendidos'', ressaltou.
A ação da CSI com vistas ao Mundial, o primeiro a ser realizado no continente mais pobre do planeta, está no âmbito de uma campanha mais vasta batizada ''Um trabalho decente para uma vida decente'', lançada pela organização sindical durante o Fórum Social de Nairóbi.
Apesar de a África do Sul contar com uma legislação trabalhista mais desenvolvida que a maioria dos países africanos, Assan Diop, membro da Organização Internacional do Trabalho, recorda que os funcionários contratados para a Copa do Mundo devem ''ter acesso a uma segurança social''.
Além disso, a presença de fiscais do trabalho é indispensável, assim como o pagamento de indenizações em caso de acidente trabalhista, considera Diop. ''Se um assalariado é vítima de um acidente e não é indenizado, toda sua família fica mais propensa à pobreza'', adverte.
Com o apoio de ONGs como a Solidar, a Social Alert e o Fórum Progressista Mundial, a CSI espera convencer o chefe de Estado sul-africano, Thabo Mbeki, e o presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Joseph Blatter, da necessidade de impor às construtoras cláusulas sociais nos contratos dos trabalhadores. Para a Copa do Mundo, serão construídos cinco estádios de futebol e outros tantos serão reformados por um valor de 4,1 bilhões de dólares (3,2 bilhões de euros).
A campanha envolverá também os empregados das obras em estradas e nos meios de transporte, assim como da venda de produtos relacionados com o campeonato que deverá oferecer receitas de 75 milhões de dólares (58 milhões de euros) ao país, segundo Maksimovic.
Segundo o secretário-geral da organização, A CSI espera ''mobilizar'', através dos meios de comunicação, ''os torcedores do mundo inteiro para pressionar a Fifa, o governo sul-africano e as empresas'' que trabalharão sobre o terreno.

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