Davos - A emergente China voltou a ser a protagonista ontem, no segundo dia do Fórum Econômico Mundial (WEF) de Davos, que também dá destaque para um seminário sobre futebol, com a presença de Pelé, além de debater as diversas ameaças naturais ou não que se abatem sobre o planeta.
Um seminário sobre a integração da China cujo PIB agora é o quarto maior do mundo à economia global demonstrou a modéstia dos chineses, para quem ''resta um longo caminho pela frente se comparado com as grandes empresas dos Estados Unidos ou Japão'', comentou Edward S. Tian, vice-presidente da China Netcom Corporation.
''Se alguém quer compreender as empresas chinesas deve pensar mais em xadrez do que em pingue-pongue, porque operam a longo prazo'', elogiou a executiva. Ela citou como exemplo o bom trabalho da China ao formalizar acordos com países ou regiões periféricas aos Estados Unidos, como na América Latina.
O WEF também contou com a presença ontem do rei do futebol, Pelé, que defendeu a modalidade esportiva como instrumento de paz e integração social, em uma intervenção inédita no fórum. ''Como uma bola pode mudar o mundo'' era o título do seminário do qual Pelé participou ao lado dos presidentes da Fifa, Sepp Blatter, e do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge.
''Represento os jogadores e esportistas de todo o mundo'', disse Pelé. ''É a primeira vez que se debate o futebol e os esportes na presença de um jogador, que é quem faz o espetáculo'', acrescentou. O brasileiro lembrou que está envolvido em várias causas humanitárias, em favor das crianças, do desenvolvimento, do jogo limpo. ''Quero devolver ao futebol o que o futebol me deu'', explicou.
Outro astro do dia foi a estrela do rock Bono, vocalista do U2, que falou de negócios e trabalho humanitário ao lançar o ''Red'', um programa através do qual quatro grandes empresas se comprometem a ceder parte de seus lucros em favor da luta contra a Aids na África.
O irlandês Bono, de 45 anos, assíduo no WEF, apresentou a iniciativa que envolve as empresas Converse (Nike), Gap, Armani e American Express. A Nike comercializará Converses (calçados esportivos) especialmente desenhados por artistas de Mali, a Gap lançará uma série de camisas integralmente fabricadas no Lesoto. Pelo menos 1% do valor gasto pelos clientes particulares com este cartão será repassado ao Fundo Mundial de Luta contra a Aids.
Das ameaças naturais se passará às ameaças políticas e militares, em programados para a tarde sobre a luta antiterrorista, o extremismo muçulmano e as ambições nucleares do Irã.
A partir de hoje, os ministros dos principais países membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) - entre eles a União Européia, Estados Unidos, Brasil e Índia - debaterão em Davos, mas à margem do WEF, os passos a serem adotados depois da conferência de Hong Kong em dezembro.

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