Fórum de Aids começa com protesto
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de julho de 2004
France Presse e<br>Agência Folha 
Bangkok - Momentos antes da abertura da 15 Conferência Internacional de Aids, ontem, em Bangcoc, na Tailândia, ONGs de vários países se uniram para cobrar acesso ao tratamento. Uma das palavras de ordem foi ''Medicação para todas as Nações - Medications to all Nations''. As informações são da Agência Brasil. A manifestação foi puxada pelas ONGs tailandesas, mas contou com a participação de lideranças de vários países: franceses, chineses, americanos e brasileiros. Mais de 17 mil pessoas de 160 países participam do encontro
A Conferência Internacional sobre a Aids começou em meio a advertências de que a escassez de dinheiro e a falta de liderança no combate à doença ameaçam o continente mais populoso do mundo, a Ásia, enquanto que as mulheres despontam como principais vítimas da Aids nos últimos anos. Em seu discurso de abertura, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pediu que líderes mundiais se envolvam diretamente no combate da epidemia, por se tratar de um assunto de extrema importância. ''A Aids é muito mais do que uma crise de saúde. Trata-se de uma crise de desenvolvimento'', afirmou Kofi Annan.
A Aids já fez mais de 20 milhões de vítimas em 23 anos e ameaça outros 38 milhões que convivem atualmente com o vírus HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana). Aproximadamente cinco milhões de infecções ocorreram em 2003, a maior quantidade em apenas um ano.
Especialistas afirmaram que o continente asiático pode superar, em casos de Aids, a África subsaariana, onde países como Suazilândia e Botswana possuem cerca de 40% da população com o vírus.
Richard Feachem, diretor do Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária, disse que a tragédia será iminente caso grandes contribuintes, como os Estados Unidos e a Europa, não destinarem os cerca de UUS$ 3,5 bilhões necessários para dar continuidade aos programas de combate à doença em 2005. ''Se o Fundo Global não continuar crescendo, o resultado será catastrófico. Nós não vamos vencer'', disse Feachem
Cerca de 25% das 4,8 milhões de infecções registradas no ano passado aconteceram na Ásia, onde países de grande população, como a China, a Índia e a Indonésia correm perigo, segundo a ONU. Nesses países, a epidemia está próxima de dar um grande salto: depois de aumentar aos poucos entre homossexuais, viciados em drogas injetáveis e prostitutas, a Aids começa a se espalhar pela população em geral.
O secretário-geral Kofi Annan exortou os países a facilitarem o acesso a remédios, a fim de ajudar as classes e grupos sociais mais vulneráveis.
''Nos últimos anos, temos percebido uma tendência aterrorizante: as mulheres são cada vez mais afetadas pela epidemia'', advertiu Annan.


