O primeiro vôo dos EUA que chegou ao Brasil após os atentados terroristas trouxe a marca do pânico que tomou conta das companhias aéreas em torno da segurança: não foram admitidos alicates nem tesouras de unha, e os tradicionais talheres de aço inoxidável foram substituídos por outros de plástico. O vôo chegou ontem ao Rio.

''O número de policiais no Aeroporto de Miami era impressionante. A segurança era enorme e as revistas nos passageiros e nas bagagens muito rigorosa. Foram abertas todas as malas e bolsas que carregávamos. Não deixaram passar nem a tesourinha de unha da minha mulher'', relatou o advogado Paulo Lins e Silva, que viajava acompanhado da mulher Ana Lúcia.

A tensão se estendeu durante o vôo 8815 da Varig, que partiu de Miami e chegou hoje às 5h53 no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, no Rio. A ordem da companhia aérea foi viajar com a cabine do piloto trancada e não aceitar a entrada de ninguém, nem mesmo dos comissários de bordo, com quem a comunicação era feita por telefone interno. Entre os passageiros, o clima foi de comoção e alívio. O vôo foi aplaudido na decolagem e no momento do pouso.

As 175 pessoas a bordo só conseguiram embarcar porque chegaram ao aeroporto logo após o espaço aéreo norte-americano ser reaberto. Muitos brasileiros continuam lotando os aeroportos dos EUA à espera de uma oportunidade de retornar.

Os passageiros relataram a presença ostensiva de policiais, não só no aeroporto, como por toda Miami. ''O clima lá é de guerra. Estão todos em pânico. Prédios são evacuados o tempo todo, muitas ruas estão fechadas e a polícia não pára de receber denúncias de bomba'', contou a estudante de medicina Milena Passos, de 20 anos. O administrador Délio Lisboa disse que bandeiras norte-americanas foram colocadas nas janelas de centenas de casas.

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