Os dois agentes entregues pela Líbia e levados segunda-feira para a Holanda, suspeitos de terem cometido o atentado de Lockerbie, foram acusados oficialmente de assassinato. Policiais escoceses leram o auto em que os dois líbios, Amin Chalifa Fuheima e Bassit Ali el Mikrahi, são acusados pela explosão do jato da PanAm sobre a cidade de Lockerbie, há dez anos, e responsabilizados pela morte de 270 pessoas, cujos nomes foram lidos um a um. O ato foi realizado no tribunal de Zeist, próximo à cidade holandesa de Utrecht. Depois da leitura das acusações, que inclui violação da legislação sobre transporte aéreo, os dois agentes foram levados ao juiz que presidirá seu julgamento, o escocês Graham Cox.
O julgamento contra os dois suspeitos do atentado de Lockerbie não poderá começar antes de seis meses ou um ano, informou ontem o ministério da Escócia, encarregado do caso.
Desde sua chegada à Holanda, os dois homens optaram por um procedimento acelerado de extradição à Grã-Bretanha, país que irá julgá-los, em virtude da legislação escocesa, em território neutro, no antigo acampamento militar de Zeist, na Holanda, conforme o acordo firmado com Trípoli.
‘‘Já foi efetuada a extradição’’, confirmou ontem o ministério britânico encarregado do caso na Escócia.
Uma vez formalmente acusados, os dois homens teriam que ser interrogados numa ‘‘audiência preliminar, o que permitirá fixar a data do julgamento. Aos advogados dos dois suspeitos caberá um prazo legal de 110 dias para a preparação do expediente da defesa, informou um porta-voz do ministério.
Os advogados poderão pedir uma ‘‘extensão desse prazo’’ para tratar de afinar seus argumentos. ‘‘Cremos que pedirão uma extensão. A acusação teve dez anos para preparar seu expediente e os advogados dos acusados sequer conhecem ainda o documento’’, explicou o porta-voz.
O professor de Direito Robert Black ponderou que os dois acusados podem ser absolvidos, por causa do ‘‘benefício da dúvida’’.

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