Damasco- As forças de segurança sírias mantiveram ontem a violenta repressão às manifestações em todo o país, matando 54 pessoas, apesar do aumento das críticas internacionais, do pedido de diálogo feito pelo Papa e do apelo por um fim ''imediato'' da violência feito pela Liga Árabe.
O Exército optou novamente por fazer uso da força para abafar a contestação e enviou tanques para Deir Ezzor (430 km a nordeste de Damasco), matando 42 civis. Os blindados seguiram depois para Houlé, na província de Homs (centro), onde pelo menos dez civis foram mortos, segundo Abdel Karim Rihaoui, líder da Liga Síria dos Direitos Humanos.
Os militantes, que protestam normalmente ao final das orações muçulmanas de sexta-feira, prometeram fazer de ''cada dia uma sexta-feira'' durante o mês do Ramadã, organizando passeatas noturnas após as orações diárias dos Tarawih.
Os apelos se multiplicaram nos últimos dias para que o regime ponha fim ao banho de sangue, mas o presidente sírio parecia se manter impassível. Ontem, ele justificou sua postura durante uma reunião com o ministro libanês das Relações Exteriores, Adnane Mansour, segundo a agência oficial Sana.
''Agir frente aos foras da lei que cortam estradas, fecham as cidades e aterrorizam a população é uma obrigação para o Estado que deve defender a segurança e proteger a vida dos cidadãos'', declarou.
Ele assegurou também que a Síria ''avança no caminho das reformas'', no dia seguinte à promessa feita pelo ministro das Relações Exteriores, Walid Mouallem, de realização de eleições legislativas ''livres e transparentes'' antes do final do ano.
Na véspera, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu a Assad o fim a sua campanha militar contra opositores, durante uma conversa por telefone entre ambos, a primeira desde abril. Neste domingo, o secretário-geral da Liga, Nabil al-Arabi, também pediu às autoridades sírias ''o fim imediato de todos os atos de violência e das campanhas contra os civis''.
Brasil
O subsecretário para Oriente Médio do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Paulo Cordeiro, deve ir à Síria nesta semana. Ele representará o governo brasileiro na missão do Ibas (grupo que inclui Brasil, Índia e África do Sul). Segundo a assessoria de imprensa do MRE, o objetivo da viagem é apelar para que a Síria cesse o uso da força naquele país e cumpra as determinações da Organização das Nações Unidas (ONU). Na semana passada, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a declaração presidencial que condena a violência na Síria e fez uma série de recomendações ao governo do presidente Bashar Al Assad. (Com Agência Brasil)

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