São Paulo - Forças leais ao ditador da Líbia, Muamar Kadafi, voltaram a realizar ataques aéreos contra o centro petrolífero de Brega ontem. A operação ocorre um dia após rebeldes opositores armados terem conseguido repelir uma tentativa dos partidários do regime de retomar o controle da instalação estratégica, localizada na parte leste do país, a cerca de 800 quilômetros da capital, Trípoli.
O ataque em Brega marca a primeira contraofensiva do regime no leste líbio, dominado pelos rebeldes, e ilustra as profundas dificuldades que as forças de Kadafi - uma mistura de milicianos, mercenários e unidades militares - têm tido em reverter a revolta popular, iniciada em 15 de fevereiro.
Brega é o local onde está a segunda maior instalação de petróleo e é controlada pela oposição desde a semana passada. Anteontem a batalha pela cidade começou logo após o amanhecer, quando várias centenas de forças pró-Kadafi em 50 caminhões e veículos com metralhadoras invadiram o porto, expulsando um pequeno contingente da oposição e assumindo o controle das instalações de petróleo, porto e pista de pouso. No entanto, à tarde, eles já tinham perdido suas conquistas e haviam recuado para o campus de uma universidade localizada a 8 quilômetros dali.
Lá, eles foram cercados por opositores, que da praia escalaram uma colina para chegar ao campus enquanto eram alvos de tiros de metralhadora. Os rebeldes se esconderam atrás de dunas, atirando de volta com rifles de assalto, metralhadores e lançadores de granadas.
As forças de Kadafi se retiraram da cidade antes mesmo do anoitecer. As pessoas tocaram buzinas de veículos e atiraram para o alto em comemoração pela vitória.
Tribunal Internacional
O promotor Luis Moreno Ocampo, do Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia, afirmou ontem que irá investigar Muamar Kadafi e seu círculo mais próximo - incluindo alguns de seus filhos - por possíveis crimes contra a humanidade que teriam sido cometidos na violenta repressão contra manifestantes antigoverno, que pedem o fim de seu regime.
Ocampo disse que as forças de segurança de Kadafi têm atacado manifestantes pacíficos em diversas cidades do país desde 15 de fevereiro, e que o mandatário e seus aliados têm comando formal ou de fato sobre essas forças. O promotor prometeu que não haverá ''impunidade'' na Líbia. ''Quero ser claro: se as tropas deles cometem crimes, eles podem ser criminalmente responsáveis'', afirmou Ocampo.

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