Víctor Tjahjadi
France Presse
De Dili, Timor Leste
Os primeiros destacamentos da Força Internacional para o Timor Leste (INTERFET) começaram ontem a ocupar a capital Dili, uma cidade agora devastada e abandonada pelos milicianos.
Os soldados, poderosamente armados, desembarcaram dos primeiros aviões de transporte que aterrissaram durante a madrugada no aeroporto da ex-colônia portuguesa ocupada há quase 24 anos pela Indonésia, e não encontraram nenhuma resistência.
Até ontem à noite não havia sido assinalado nenhum incidente.
Os milicianos desapareceram das ruas e avenidas da cidade, onde somente os soldados indonésios – elementos da infantaria de marinha e de unidades especiais da infantaria – estavam mobilizados.
Além dos soldados, somente alguns grupos de habitantes, geralmente pequenos grupos de crianças descalças, eram visíveis nas ruas cheias de lixo, de escombros e de objetos sem valor suficiente para ser roubados.
Os sobreviventes aparecem debilitados, fatigados e miseráveis.
Calcula-se que entre as ruínas sobreviveram escondidas cerca de 10 mil pessoas de uma população que, antes de iniciar o saque há quinze dias, era de mais de 200 mil habitantes.
Com os meios disponíveis, fizeram abrigos de papelão ou com pedaços de plástico. Alguns se instalaram nos armazéns saqueados do porto, na praia ou embaixo das árvores.
O hotel Mahkota e a residência do bispo Carlos Belo agora não passam de ruínas enegrecidas, sem telhados, abertas a um sol implacável.
O general Peter Cosgrove, comandante da força multinacional, disse que uma de suas prioridades é levar ajuda aos refugiados famintos e enfermos.
Os militares indonésios afirmavam anteontem que tinham recebido ordem de Jacarta de retirar os sobreviventes dos pontos estratégicos.
Cerca de 200 mil leste-timorenses, ou seja, quase um quarto da população da ex-colônia portuguesa, foram levados, alguns à força, para a Indonésia e principalmente para o Timor Oeste.
Os deportados estão amontoados em acampamentos em Timor Oeste que ao que parece estavam preparados há tempos, onde continuam à mercê dos milicianos pro-indonésios e sempre fora da proteção dos órgãos humanitários internacionais.Os soldados da ITERFET encontram uma cidade devastada. Milicianos, que prometiam resistir, fugiram
France PresseAção humanitáriaOs primeiros soldados australianos, poderosamente armados, desembarcaram de madrugada em Dili, capital da ex-colônia portuguesa ocupada há 24 anos pela Indonésia

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