France Presse
De Teerã
As forças de segurança iranianas, encarregadas de manter a ordem pública, são um verdadeiro quebra-cabeças às vezes um tanto vagas, compostas de unidades militares, policiais e por voluntários.
- OS GUARDIÃES DA REVOLUÇÃO Nascidos com a Revolução de 1979, o corpo de Guardiães da Revolução, os famosos Pasdaran, são na verdade uma espécie de exército de elite, guarda pretoriana da República Islâmica. Com 300 mil homens, os Pasdaran, muito motivados no âmbito ideológico, também são chamados de ‘‘exército verde’’, em alusão à cor do Islã. Os Pasdaran são o corpo mais eficaz da segurança interna e externa do Irã. Dispõem de forças terrestres - entre as quais estão as unidades antidistúrbios -, aéreas e navais, bem como serviços de inteligência.
- EXÉRCITO REGULAR - O Irã conta ainda com um exército regular, com uma estrutura herdada do regime imperial do Xá. Considerado nos anos 70 o quinto exército do mundo, particularmente pela qualidade de seu armamento de origem americana, foi em várias oportunidades um rival dos Pasdaran. Durante a guerra entre o Irã e o Iraque (1980-1988), vários representantes militares aspiravam a uma ‘‘fusão’’ do exército regular com os Pasdaran.
- AS FORÇAS DE SEGURANÇA INTERNA - Estas forças reúnem desde os anos 90 a polícia urbana, a polícia judicial e a gendarmeria. Estas mantêm a ordem pública, a segurança nas cidades e a luta contra o tráfico de drogas. Estas forças, chamadas oficialmente de ‘‘forças da ordem da República Islâmica’’, também se encarregam de controlar o respeito ao código de vestimentas e moral islâmico, vigente desde a revolução. Assim como os Pasdaran, as forças de ordem contam ainda com unidades antidistúrbios urbanas.
- AS MILÍCIAS VOLUNTÁRIAS ISLÂMICAS - Os ‘‘Bassidjis’’ (cujo significado literal é ‘‘mobilizados’’) são um corpo paramilitar criado por ordem do imã Khomeini, no início da guerra entre o Irã e o Iraque para organizar uma resistência popular ante os ataques das tropas iraquianas e expulsá-las das cidades iranianas ocupadas nas províncias ocidentais do país. O fundador da República Islâmica afirmava contar com um corpo paramilitar popular integrado por 20 milhões de homens, mas atualmente os ‘‘Bassidjis’’ não superam os 5 milhões de pessoas divididas em todo o país. Qualquer iraniano pode se tornar ‘‘Bassidji’’ se solicitado e for admitido. Os ‘‘Bassidjis’’ estão vinculados ao corpo de Guardiães da Revolução e constituem uma ‘‘força popular de intervenção rápida’’. As forças militares e de segurança se encontram integralmente sob a autoridade do Guia da República Islâmica, o aiatolá Ali Khamenei. O Guia, por sua vez, pode delegar por decreto a tutela das forças de polícia ao Ministério do Interior.

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