Rompendo uma pausa nos combates, forças conjuntas do Exército e da polícia bombardearam ontem montanhas ao redor de Tetovo, numa contra-ofensiva visando desalojar rebeldes albaneses étnicos dos arredores da segunda maior cidade da Macedônia. ‘‘Estamos usando todos os meios de que dispomos aqui’’, disse o porta-voz do Exército, Blagoje Markovski, enquanto anunciava o assalto governamental a posições rebeldes. Ele afirmou que pela primeira vez desde que os rebeldes deram início à sua insurgência, há mais de quatro semanas, o Exército havia se unido à polícia e a unidades especiais antiterroristas para forçar o recuo dos rebeldes.
Ainda assim o Exército parecia disposto a conter seus ataques. Pouco depois do início da ofensiva governamental, os militares suspenderam os ataques e deram um ultimato, exigindo que ‘‘os terroristas’’ cessem os combates até a meia-noite de hoje e rendam-se ou deixem a Macedônia.
O Exército prometeu conter ações ‘‘ofensivas’’ até a meia-noite de amanhã, segundo o comunicado lido na televisão nacional, mas se reservava o direito de se defender. O comunicado afirma que as Forças Armadas retomarão os combates após o prazo, caso o ultimato seja ignorado.
Numa importante ajuda aos esforços do governo de dominar a situação, dois grandes partidos políticos albaneses étnicos anunciaram ontem seu apoio a uma solução pacífica para o conflito.
‘‘Condenamos o uso da força para ganhos políticos – não existe lugar para isso nos Estados democráticos civilizados’’, é dito na declaração assinada pelo Partido Democrático Albanês e pelo Partido da Prosperidade Democrática. A violência pode ser ‘‘trágica para nós, cidadãos macedônios, e para toda a região’’, acrescentou o comunicado.
Separadamente, Arben Xhafari, cujo Partido Democrático Albanês faz parte do governo de coalizão dominado pelos eslavos, negou rumores de que sua agremiação estivesse abandonando o governo – mas advertiu que pode fazê-lo futuramente caso haja uma escalada da violência.
Tanques governamentais foram deslocados para a cidade na segunda-feira, e o porta-voz governamental Antonio Milosovski prometeu uma ‘‘ação definitiva’’ – um grande contra-ataque – dizendo que comandantes de campo dariam a ordem em breve. A Otan, por seu lado, prometeu cortar as linhas de suprimento aos rebeldes do vizinho Kosovo.
A ofensiva governamental foi indiretamente um rechaço das exigências rebeldes, publicadas poucas horas antes, para uma negociação.

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