Ao som de sinos e recebidos por mulheres que jogavam pétalas de rosas e grãos de arroz em suas cabeças, mil soldados e policiais enviados pelo governo do Líbano chegaram ontem ao sul do país, no primeiro destacamento militar que chega à região em cerca de 20 anos.
Mas a presença libanesa numa área conhecida por ser palco de violência não convenceu Israel de que a paz finalmente chegou à sua fronteira norte. Segundo o vice-ministro da Defesa israelense, Ephraim Sneh, o posicionamento – de 500 soldados e 500 policiais – não será suficiente para conter os guerrilheiros que dominaram o sul libanês depois que Israel se retirou do local em 24 de maio.
Mas para os moradores da região do sul do Líbano – que corresponde a um décimo do território nacional – o dia foi de festa. Residentes das principais cidades cristãs e muçulmanas na área, até há pouco ocupada pelos israelenses, contaram que esperaram durante toda a madrugada pela chegada da força de segurança, cujo envio fora decidido anteontem em Beirute.
Na cidade cristã de Marjayoun, várias mulheres jogaram pétalas de flores e arroz nas tropas, que seguiram para os antigos quartéis do Exército do Sul do Líbano (ESL), milícia que era aliada de Israel na região. De longe, guerrilheiros do grupo pró-iraniano Hezbollah (Partido de Deus), vestidos com roupas de civis e desarmados, acompanhavam a movimentação, num sinal de que estão dispostos a cumprir as ordens de seus líderes para que a autoridade governamental seja respeitada.
‘‘O posicionamento militar é o primeiro passo em direção à restauração da autoridade de Beirute sobre o sul do Líbano’’, afirmou o porta-voz das Nações Unidas, Manoel de Almeida e Silva, em Nova York.
O Líbano manteve tropas no sul do país até 1976, um ano depois do início da guerra civil. A presença militar se desmantelou à medida que os soldados se juntavam à milícia Exército Líbano Livre, comandada por Saad Haddad, que desertou e declarou uma república independente na área. Dois anos depois, Israel invadiu a região para reprimir os guerrilheiros palestinos que usavam a área para lançar ataques contra o norte do Estado judeu.
‘‘Estávamos esperando por vocês’’, gritava Antoinette Shahin ao lado de um comboio militar que passava pela vila cristã de Qlaiaa. ‘‘Ficamos acordados a noite toda.’’ A presença das forças de segurança libanesas satisfaz principalmente os habitantes cristãos da área, que temiam a possibilidade de guerrilheiros muçulmanos xiitas tomarem conta do local. Por este motivo, cerca de 6.000 cristãos fugiram para o Estado judeu antes da retirada das tropas israelenses.
Arafat Israel acredita que a Rússia possa influenciar o líder palestino, Yasser Arafat, durante o processo de paz no Oriente Médio, declarou ontem o procurador-geral israelense, Alyakim Rubinstein, ao fim de uma visita de dois dias a Moscou.
Rubinstein estimou que a Rússia ‘‘poderia dar um bom conselho a Arafat, para que ele tome uma posição mais aberta nas negociações’’, informou a agência Interfax.
Na reunião de cúpula de Camp David, ‘‘Arafat se fechou a todas as nossas propostas, mas não propôs nada em troca’’, disse Rubinstein. O presidente palestino deverá reunir-se amanhã com o presidente russo, Vladimir Putin, e com o ministro das Relações Exteriores, Igor Ivanov.

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