Crianças e adultos morrem de fome a cada dia em Ajiep (sul do Sudão), na região de Bahr el-Ghazal, onde a situação alimentar se agrava apesar da ajuda humanitária, constata o correspondente da AFP. Dez crianças morrem por semana, há mais de um mês, no centro de nutrição da organização humanitária Médicos sem Fronteiras (MSF), que acolhe mais de 2.300 pessoas.
Sob toldos, crianças com o corpo descarnado e o ventre proeminente, nuas em geral, sentam-se ou deitam-se sobre um lençol de plástico. Frequentemente estão acompanhadas da mãe, no centro terapêutico que acolhe os casos mais graves.
Em torno deles, centenas de mulheres e de crianças esperam sentados no chão a próxima distribuição de ração.
Entre os deslocados reunidos em Ajiep, a taxa de mortalidade é de 15 por 10.000, por dia, quando uma taxa de 2 por 10.000 já é considerada trágica pelas organizações humanitárias, precisa a MSF.
‘‘A taxa de mortalidade aumenta. Adolescentes começam a morrer, enquanto que no início, as vítimas eram principalmente crianças ou pessoas idosas’’, informa o dr. Lu Nakel, um dos médicos do centro de Ajiep, em zona controlada pelo Exército de Libertação dos Povos do Sudão (SPLA), de John Garang, a 50 km ao norte de Wau, controlado pelo exército governamental.
Para diminuir a pressão sobre o centro nutricional, o Programa Alimentar Mundial (PAM) larga víveres a alguns quilômetros de lá.
‘‘Vim de longe, na minha casa não tem mais nada para comer’’, lamenta uma mulher, que, junto com outras 2.000, se aglomera não longe da região onde os víveres serão distribuídos.
Localidade bastante isolada, situada não muito longe de Wau onde foram registrados intensos combates, Ajiep atrai muita gente, em busca do que comer.
As noites são mais frias e os deslocados, enfraquecidos, desidratados e sem cobertores, são vítimas de doenças mais facilmente.
Com a estação das chuvas, que começa com atraso, as pessoas pedem sementes, para preparar uma futura colheita.
Em Wau, zona governamental, a situação é também dramática, por causa da chegada de numerosos camponeses na cidade cercada pelo exército sudanês.

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