Fome e frio podem matar 100 mil crianças
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sexta-feira, 07 de dezembro de 2001
France Presse de Berlim 
Cerca de 100 mil crianças podem morrer de desnutrição e diversas outras doenças neste inverno no Afeganistão, caso suas famílias não recebam ajuda ''imediatamente'' do exterior, afimrou ontem a Unicef em um comunicado publicado em Berlim, onde se reuniram na quarta e ontem os países doadores de ajuda humanitária ao Afeganistão.
''Já começou a nevar em várias zonas do Afeganistão e muitos lugares ficarão rapidamente ilhados do mundo'', advertiu o Fundo da ONU para o Desenvolvimento da Infância (Unicef).
A agência humanitária das Nações Unidas estimou que antes do final de março de 2002 serão necessários 110 milhões de euros (cerca de 100 milhões de dólares) para poder realizar suas operações de ajuda urgente às crianças no Afeganistão.
''A sobrevivência das crianças, que sofrem de desnutrição crônica e morrem de doenças que são inofensivas no Ocidente, deve ser a prioridade número um'', destacou a Unicef.
As primeiras vítimas Dez crianças morreram de fome e frio no país, onde está começando o inverno, informou, ontem, em Cabul um porta-voz da ONU. ''Alguns cavam buracos na terra congelada para tentar se proteger do frio'', afirmou Yussuf Hassan.
A situação das ''pessoas desalojadas'' é preocupante no norte do país, ''onde enfrentam a fome e o frio'', disse o porta-voz, precisando que entre 6 e 9 mil pessoas estão nessa situação.
Na província de Ghor (centro do país), uma das mais afetadas por uma seca que dura três anos, ''encontramos casos de desnutrição e problemas respiratórios vinculados ao inverno, como a pneumonia, principal causa da mortalidade no Afeganistão nessa época'', informou. A situação também é preocupante nos acampamentos de refugiados próximos à fronteira iraniana.


