Fome ameaça a Coréia do Norte
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terça-feira, 21 de outubro de 1997
Jacques Boyer France Press 
France PressPrimeiras vítimasAntes da intervenção humanitária internacional, até 10% das crianças mais fracas morriam antes de sua chegada ao hospital pela desnutrição e falta de cuidadosA ajuda internacional evitou que a fome causasse uma catástrofe imediata na Coréia do Norte ao reduzir o número de crianças que morriam de fome e de enfermidades, embora o risco de um desastre não esteja descartado por causa do caos do sistema de assistência, afirmaram ontem responsáveis pelos países em crise da ONU.
No caso das crianças que ajudamos, constatamos uma melhora efetiva de sua situação nutritiva após o começo dos programas de assistência maciça em maio passado, assinalou Douglas Cutts, diretor do Programa Alimentar Mundial (Pam) na Coréia do Norte.
Antes da intervenção humanitária, até 10% das crianças mais fracas morriam antes de sua chegada ao hospital pela desnutrição e falta de cuidados, explicou o representante da Unicef na Coréia do Norte, Omawale Omawale.
Estas mortes se reduziram de forma expressiva graças à ajuda humanitária internacional à infra-estrutura médica e ao sistema de distribuição de alimentos do governo comunista, acrescentou Omawale.
As crianças de menos idade recuperam peso e deixam os hospitais, enquanto as creches e escolas maternais se enchem de novo depois de terem ficado desertas por falta de comida, disse o membro da Unicef.
A Coréia do Norte sofre uma crise de alimentos, uma falta de remédios e uma grave deterioração de sua situação econômica geral por causa de uma série de catástrofes naturais. As inundações de 1995 e 1996 prejudicaram seriamente suas infraestruturas e, este ano, a safra foi afetada por uma grave seca.
Todas estas dificuldades foram ampliadas por uma crise estrutural do regime comunista, cujo isolamento aumentou com a extinção da União Soviética no início desta década.
As agências humanitárias da ONU voltaram sua ajuda para a parte mais vulnerável da população: 4,7 milhões de pessoas (de 23 milhões de norte-coreanos), dos quais 2,6 eram menores de seis anos.
Porém, apesar dos avanços, Douglas Cutts fala das inúmeras camadas da população que não podem atender e nas quais persiste uma deterioração nutricional.
Para ele, os grandes países da região devem se envolver rapidamente no problema de alimentar os norte-coreanos, pois a ajuda multilateral será logo insuficiente para cobrir um déficit anual de alimentos de uma ou dois milhões de toneladas.


