São Paulo - Com uma folha de coca na mão, o presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu ontem à Comissão de Narcóticos da ONU (Organização das Nações Unidas), em Viena, que retire a planta da lista de entorpecentes proibidos pelas convenções internacionais.
''A folha de coca não é cocaína, não é nociva para a saúde, não provoca males físicos nem dependência'', enfatizou Morales, que, para reforçar sua causa, mascou algumas folhas diante dos ministros dos 53 países membros da comissão.
''Isto é mastigar. Não é porque mastigo que sou viciado em drogas. Se for assim, (Antonio María) Costa (responsável da ONU para a luta antidrogas e presente na sala) deveria me levar preso'', desafiou Morales.
Morales participou da sessão plenária da comissão pela primeira vez para pedir a retirada da folha de coca da lista de entorpecentes estabelecida na convenção de 1961. Em Viena, o presidente boliviano -que acendeu à política como líder dos produtores de coca- defendeu o consumo tradicional da folha considerada como sagrada e milenar no mundo indígena andino.
''Isto é uma folha de coca, não é cocaína. Não é possível que esteja na lista de entorpecentes da ONU'', declarou Morales, que depois mastigou a planta, considerada droga pela comissão internacional, em protesto. ''Esta folha de coca é medicina para os povos. Não é prejudicial para a saúde humana em seu
estado natural'', frisou.
O presidente boliviano afirmou ainda que estas folhas são cultivadas há 3.000 anos e são o símbolo da identidade e a cultura dos povos andinos.
Desafiando os ministros da Justiça e do Interior dos países membros da comissão de entorpecentes, Morales, que cultiva pessoalmente sua coca e a consome há dez anos, advertiu: ''Se isso é uma droga, então podem me prender''.
Morales luta contra a estigmatização do cultivo da folha de coca, a partir da qual se fabrica a cocaína, mas que também é considerada uma planta sagrada na Bolívia, e cujo consumo é tradicional e terapêutico.

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