São Paulo- Um avião americano bombardeou, por engano, tropas britânicas no sul do Afeganistão, matando três soldados e ferindo dois gravemente. A patrulha havia pedido apoio aéreo para uma ação contra insurgentes do grupo fundamentalista Taleban perto da cidade de Kajaki, na província de Helmand. Segundo comunicado do Ministério da Defesa britânico, dois caças F-15 responderam ao chamado, mas apenas uma bomba foi lançada.
O secretário da Defesa do Reino Unido, Des Browne, disse lamentar as mortes, e reconheceu a bomba como a causa mais provável, mas evitou críticas ao aliado da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). O secretário sublinhou que os caças atuaram mediante solicitação britânica.
Este pode ser o terceiro episódio fatal de fogo amigo no Afeganistão. Há suspeitas de que as mortes de dois soldados britânicos, ainda sob investigação, tenham sido causadas pelos americanos. No Iraque, os EUA já provocaram 12 baixas nas tropas do Reino Unido.
Missões aéreas são controversas entre militares britânicos. O incidente de quinta aumenta a pressão por mudanças na estratégia de ocupação da Otan, que mantém soldados no Afeganistão desde 2001, quando agiu para derrubar o governo do Taleban, acusado de dar abrigo a Osama bin Laden.
O jornal ''New York Times'' publicou em julho relato de um oficial não-identificado que contou ter solicitado o fim da atuação das Forças Especiais dos EUA na região controlada pelo Reino Unido. Segundo ele, os bombardeios na província de Helmand e as morte de civis estariam dificultando as relações com os habitantes locais.
O comando britânico rebateu as críticas com a afirmação de que o número de vítimas civis é pequeno em relação ao benefício estratégico dos bombardeios. A morte acidental dos soldados, porém, aumenta o ceticismo das tropas.
No Exército britânico, é hegemônica a visão de que o sucesso das missões de paz depende essencialmente da boa relação com a população local, enquanto a abordagem americana privilegia o combate às milícias rebeldes.

mockup