Fogo ainda destrói na Europa e EUA
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domingo, 05 de julho de 1998
France Presse 
Louisa Gouliamaki/AFPDesesperoMoradores tentam apagar as chamas que invadem as casas em Varibombi, norte de Atenas, onde persistem 60 focos de incêndios Uma onda de calor acompanhada de incêndios, que em três dias causou pelo menos 20 mortes e vários danos materiais, continuou ontem afetando vários países do sul da Europa, embora os incêndios pareçam estar sob controle. No sul da Itália, onde morreram nove pessoas vítimas de incêndios, as temperaturas começaram a baixar e voltaram aos índices normais do verão (30-33 graus este verão, depois de chegar a temperaturas de 47 e 48 graus).
Na região da Calábria (extremo sul), 20 mil hectares de pastagens foram desvastadas nos últimos dias. Vinte comunidades foram afetadas por incêndios de origem criminosa ativados pelo vento, causando a morte de dois idosos. Ontem a situação estava sob controle depois da chegada de dois aviões Canadair e da baixa temperatura. Novos focos de fogo apareceram durante o dia, mas foram logo controlados.
Na Grécia, os grandes incêndios que ameaçaram o norte de Atenas estavam sob controle na tarde de ontem, segundo os bombeiros, apesar de as equipes de socorro continuarem se mobilizando por precaução. Atenas está coberta pela fumaça. Segundo os meteorologistas, os ventos fortes que estão aumentando as chamas e espalhando os incêndios, devem perder a força. Ao sair de uma reunião sobre os incêndios, o ministro do Interior, Alexandre Papadupulos, disse que está otimista para as próximas horas. Outras regiões da Grécia também estão sendo atingidas por aproximadamente 150 incêndios, levados pelo vento depois de três dias de calor recorde de 45 graus.
No norte de Chipre, duas aldeias do setor turco da ilha foram evacuadas ontem por causa de um incêndio que devastou 5 mil hectares de bosques e destruiu várias casas.
Na Albânia morreram três pessoas nos últimos três dias. Em Tirana, o calor, a poluição e a falta dágua causaram dezenas de hospitalizações entre sexta e sábado.
Na Turquia, uma pessoa morreu e outra ficou ferida, no sábado à noite, em uma violenta tormenta. Na província de Tekirdag, na costa de Mármara, uma tempestade com ventos de mais de 70 km/h causou danos materiais.
Brisas vindas do Oceano Atlântico, chuvas fracas e uma umidade maior diminuíram ontem a força dos grandes incêndios florestais na Flórida, nos Estados Unidos, onde 500 mil hectares e cerca de 160 casas já foram atingidos. A situação, porém, ainda é crítica. Tivemos um dia melhor, pelos menos estamos combatendo o fogo; sábado, estávamos correndo das chamas, afirmou o governador Lawton Chiles. Segundo um porta-voz do órgão que controla o combate ao fogo (Fema), ainda há no Estado uns 2 mil focos de incêndio.
Os bombeiros, vindos de 11 Estados americanos, do Canadá e da Rússia, esperam contar com a ajuda de uma chuva forte. O serviço de meteorologia, porém, só está prevendo chuvas fracas para as próximas horas. Mais bombeiros com helicópteros de combate ao fogo estão sendo enviados para as áreas atingidas.
Parte das milhares de pessoas, que tiveram de sair de suas casas por causa da ameaça do fogo, já está voltando. Elas passaram o feriado de 4 de julho, dia da independência americana, dormindo em hotéis, albergues, e até nos carros. Mas 60 focos de incêndios ainda não foram apagados. No Condado de Flagler, as ordens de evacuação continuam valendo para pelo menos 45 mil moradores, que continuam nos abrigos, e um trecho de 170 quilômetros da principal rodovia do Estado está interditado. No vizinho condado de Volusia, residentes da localidade de Plantation Pines foram retirados pela terceira vez nas últimas duas semanas. Mesmo com vários incêndio sem controle, posso dizer que alcançamos algum progresso, disse o porta-voz do Serviço Florestal dos Estados Unidos, Steve Parson.
As comemorações do Dia da Independência foram prejudicadas por causa dos incêndios. As autoridades proibiram a utilização de fogos de artifício para evitar novos focos de chamas. Nas principais cidades do Estado, Miami e Jacksonville, e na região da Baía de Tampa, o governo recomendou medidas sanitárias especiais para evitar doenças causadas pela fumaça.


