Fluxo migratório para Brasil quase acaba
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sexta-feira, 05 de agosto de 2005
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Reflexos sociais da explosão que destruiu Hiroshima podem ser percebidos até em Londrina, cidade que conta com uma das maiores colônias nipônicas do País, no Estado brasileiro com a segunda maior comunidade japonesa, perdendo apenas para São Paulo. Segundo a professora aposentada e ex-diretora do Núcleo de Estudos da Cultura Japonesa da Universidade Estadual de Londrina (Uel), Estela Okabayaski Fuzii, o fluxo migratório Japão-Paraná, intenso até o começo da Segunda Grande Guerra, quase foi interrompido depois que as comunidades de Hiroshima e Nagasaki ficaram em frangalhos, vítimas das bombas americanas.
Incentivados pelos governos dos dois países, os japoneses iniciaram a saga migratória para o Brasil no início do século XX, fugindo da recém-terminada Guerra contra a China. Grande parte deste incentivo, segundo a professora, vinha do Tratado de Amizade Brasil-Japão, assinado em 1895 com o objetivo de oferecer alternativas de renda aos asiáticos e mão-de-obra aos ocidentais. Chegando primeiro a São Paulo, os japoneses logo conheceram a fama de terra fértil do Estado vizinho, o que foi comprovado depois de uma visita de uma caravana de 10 pessoas, realizada em 1929. ''No ano seguinte, a ocupação efetiva do Norte do Paraná já estava acontecendo'', detalha Estela.
A partir deste momento, os japoneses começaram a chegar à região de Londrina vindos diretamente do País de origem, e não mais depois de passarem por São Paulo. O fluxo só se interrompeu em 1945, quando o Japão sofria os mais pesados ataques promovidos pelos Estados Unidos, já no final da guerra. ''O primeiro fator foi o grande número de mortes provocado pelas bombas. Quem sobreviveu não reunia a menor condição para viajar'', conta a professora.
O resultado da explosão é que Londrina, que recebe uma das maiores comunidades nipônicas do Brasil, quase não conta com descendentes de Hiroshima. ''A única comunidade bem organizada na cidade é a dos oriundos de Okinawa, um pequeno arquipélago ao sul do Japão'', explica Estela. O aniversário da explosão, segundo a professora, é portanto, lembrado com discrição e em cerimônias familiares. ''As orações budistas e xintoístas são feitas de forma mais introspectiva, com referências mais profundas às mortes provocadas pela bomba nuclear''.


