Flórida pode confirmar Bush
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quinta-feira, 07 de dezembro de 2000
Paulo Sotero Agência Estado De Washington 
Com suas opções legais desaparecendo e os políticos do Partido Democrata ameaçando abandoná-lo, o vice-presidente Albert Gore terá hoje suas últimas e remotas chances de reverter a vitória de seu rival republicano, o governador do Texas, George W. Bush, nas conturbadas eleições presidenciais realizadas há um mês.
Em tese, ele poderia ser salvo pelos julgamentos de um ou dos dois processos por irregularidades na solicitação de milhares de votos por correspondência nos distritos de Seminole e Martin. Os veredictos são esperados para hoje em ambos os casos e podem levar à anulação de um total de até 24 mil votos em distritos pró-Bush, mais do que o suficiente para eliminar a vantagem de 537 sufrágios populares, em mais de 6 milhões, que deu vitória a Bush.
Mas é improvável que ocorra. E é certo que uma reversão do resultado oficial da eleição obtido com base na desqualificação de milhares de votos válidos não entusiasmaria os democratas e seria rejeitada por Bush e por republicanos, que recorreriam à Suprema Corte estadual e, por medida de seguro, sacramentariam, com um ato do legislativo local, a escolha dos 25 representantes da Flórida no colégio eleitoral.
A melhor alternativa para Gore é convencer o supremo da Flórida de que a decisão o juiz N. Saunders Sauls, que rejeitou seu processo de contestação do resultado da eleição no Estado, na segunda-feira, agiu incorretamente. Hoje pela manhã, seus advogados e os de Bush apresentarão seus argumentos perante os sete juízes.
Se a lei estadual que prevê a possibilidade de contestação dos resultados tem significado, o único possível é que ela é um mecanismo para determinar se as autoridades estaduais certificaram o candidato errado como o vencedor da eleição, afirmaram à Corte os advogados de Gore. Os advogados de Bush pediram que os juízes simplesmente rejeitem como improcedente a petição do líder democrata.
A hipótese de uma decisão favorável a Gore é considerada pouco plausível até por alguns de seus correligionários. Eles lembram que o veredicto de Sauls foi abrangente e partiu da premissa segundo a qual Gore não conseguiu demonstrar que a recontagem de 14 mil votos em branco que ele pede nos distritos de Palm Beach e Miami-Dade mudariam o resultado final.
Mas Gore é o último otimista entre os democratas. Vários políticos importantes do partido continuaram a preparar ontem o terreno para uma saída honrosa para seu candidato, já neste fim de semana.
Bush disse que compreende a angústia e as emoções de seu rival. Ontem, ele teve um encontro com sua futura conselheira de segurança nacional, Condoleezza Rice. Depois da reunião, ele disse que compreende a importância do papel dos Estados Unidos no Oriente Médio. Não disse o que os EUA devem fazer frente ao conflito entre israelenses e palestinos mas foi claro em relação ao que não fará.
Acho que não devemos estabelecer cronogramas artificiais, disse ele, numa crítica velada ao presidente Bill Clinton.


